Qual o peso do diploma?

CM News Online – 31/03/2011

Experiência e um bom pacote de certificações substituem a graduação? Nas grandes empresas, não. Mas se a ideia é empreender, o canudo pode não fazer falta.

O que Bill Gates, Steve Jobs, Michael Dell e Mark Zuckerberg têm em comum, além de serem empreendedores bem-sucedidos e milionários? Os quatro ícones da tecnologia tinham pressa e não concluíram seus cursos universitários. Com uma boa ideia na cabeça e muita disposição, eles fiz eram uma opção arriscada e se deram bem, muito bem. Mas será que hoje o mercado aceita pro fissionais que não têm um canudo de graduação? A resposta para essa pergunta passa por duas variáveis: a área escolhida e as ambições do profissional. Se a intenção é trabalhar numa grande empresa ou banco e ainda combinar tecnologia com negócios, o diploma conta, sim, e muito. Se, por outro lado, a opção for montar um negócio próprio ou trabalhar em empresas pequenas e médias, experiência de mercado e um bom conjunto de certificações podem ser mais do que suficientes .

Veja o caso de Jorge Cenci, de 53 anos. Sem diploma de nível superior, mas com experiência de sobra, Cenci é hoje presidente da Senior Sistemas, empresa que desenvolve software para gestão empresarial. Ele entrou no mercado há 30 anos, quando nem se falava em graduação para a área de tecnologia. “Foquei a carreira em cursos técnicos e certificações”, afirma Cenci. Técnico em contabilidade e administração de empresas, ele chegou à Senior Sistemas em 1990, para dirigir as áreas comercial e financeira. Depois de 13 anos de bons resultados, assumiu a presidência da companhia.

Histórias como a de Cenci são comuns no mercado de tecnologia. Segundo André Assef, diretor operacional da consultoria de RH Desix, muitas vezes experiência e boas certificações contam mesmo mais do que quatro anos de faculdade. “Nunca vi uma empresa de pequeno ou médio portes recusar um profissional de tecnologia por não ter ensino superior. Isso só acontece nas grandes companhias”, afirma Assef.

Só com diploma?

Na BRQ IT Services, fornecedora de serviços de TI, a graduação não é essencial para cargos técnicos. Segundo Andrea Quadros, diretora de RH, o mais importante é a experiência em outras empresas, as certificações e o conhecimento de diferentes linguagens de programação. “Não fazemos restrição. Procuramos olhar sempre para o histórico profissional”, diz Andrea.

Funcionário da BRQ desde 2000, Ivan Bodelon Rissato, de 34 anos, avançou na carreira sem formação superior. Entrou como analista de sistemas e logo percebeu que o aprendizado em diversas linguagens de programação e as certificações, aliadas à experiência, trariam crescimento mais acelerado e foi em frente. Hoje, Rissato é gerente de projetos e sua meta é chegar a diretor. Para isso, investe também no conhecimento de negócio, além da técnica.

Na área de TI há 15 anos, Luciano Grenga, de 34 anos, também nunca se deparou com a necessidade de um diploma de nível superior. Coordenador de TI da Foothills, empresa de médio porte da área química, Grenga cursou três anos de administração de empresas com ênfase em análise de sistemas, mas trocou a faculdade pelo trabalho. “A graduação é importante, mas não essencial”, diz Grenga.

Nas grandes corporações ou bancos, como o Itaú Unibanco, experiência e bom portfólio são importantes, mas formação superior é essencial.

A superintendente de consultoria do banco, Vera Bernardino, diz que a área de TI é core business no sistema financeiro e, por isso, é importante que o profissional seja mais do que um técnico. “Ele deve ser um consultor em tecnologia. E para isso a formação superior é o primeiro passo”, afirma Vera.

No banco Santander, diploma também é fundamental no processo de seleção. O diretor de RH do banco, Marco André Ferreira, afirma que profissionais de tecnologia devem necessariamente ter ligação com negócios e para isso a graduação é essencial. “Nossa equipe de tecnologia se relaciona com as áreas de negócios e por isso buscamos profissionais de TI com uma visão abrangente, proporcionada pelo ensino superior”, diz Ferreira. Assim, se a intenção é atuar em bancos do porte do Itaú Unibanco e do Santander, ou fazer da TI um instrumento de negócios, a graduação precisa, sim, entrar nos planos. “Hoje, os grandes executivos de TI são extremamente qualificados e graduados”, diz Renato Gutierrez, consultor sênior de capital humano da Mercer.

O consultor Alfredo Pinheiro, presidente da Compass Management Consulting, faz uma distinção entre a área técnica e a de business. Na técnica, é possível encontrar pessoas competentes sem ensino superior que vão crescer e se dar bem na carreira. “Mas estamos falando de casos isolados. Hoje, mais do que nunca, os diplomas importam, assim como MBA e pós-graduação.” Mas Pinheiro acredita que a veia empreendedora pode muitas vezes substituir a formação acadêmica. Isso leva a histórias como as dos fundadores da Microsoft, da Apple, da Dell e do Facebook, que correram atrás de um sonho na juventude e trocaram as aulas formais pelo desejo de acontecer.

Vagas de trabalho em Tecnologia da Informação

Jornal da Cultura – 17/01/2011

A matéria que foi ao ar no Jornal da Cultura, no dia 17 de janeiro, abordou o tema falta de profissionais qualificados. A reportagem relatou os resultados da Pesquisa do Uso de TI elaborada pela FGV que apontou um déficit de vagas no setor. A BRQ foi fonte da matéria com participação do presidente Benjamin Quadros que falou sobre os riscos para o setor e prejuízo para a competitividade brasileira. As funcionárias Adriana Souza, Renata Nazato e Ligia Ribeiro também concederam entrevistas sobre mudança na carreira e escolha da profissão.

O Jornal da Cultura é exibido de segunda a sábado, às 21h, na TV Cultura.

É hora de escolher

O Povo Fortaleza – Você S/A RH – 23/09/2010

Desde que a economia deu sinais de recuperação, há uma intensa movimentação de profissionais no mercado que já supera o boom que vigorava antes da crise. Atraídos por melhores oportunidades, 30,5% dos brasileiros pediram demissão entre janeiro e maio deste ano, segundo dados do Ministério do Trabalho.

Trata-se um número superior ao de 2008, quando esse índice foi de 26%. Nesse cenário extremamente aquecido, algumas empresas passaram a enxergar o RH como peça-chave, sobretudo na difícil missão de atrair e reter talentos. “As organizações procuram, cada vez mais, gente com visão estratégica em todos os níveis do RH, seja para principal executivo, seja para analista”, afirma Marcelo De Lucca, diretor da Michael Page, consultoria especializada no recrutamento de executivos.

Cobiçados como nunca, muitos profissionais de RH também estão aproveitando o bom momento para alçar novos vôos. Alguns, inclusive, saem mesmo sem obter um ganho em remuneração. “Salário não é o principal atrativo na hora em que as pessoas optam por trocar de emprego”, diz De Lucca.

Há outro motivo tão ou mais importante do que o aspecto financeiro: a busca por desafios. Esse foi o caso de Daniela Amorim, gerente administrativa e de gestão de pessoas da Unimed do Brasil, empresa responsável por levar diretrizes às 375 unidades do grupo no país. Há oito meses, Daniela abandonou uma carreira de 13 anos em hospitais públicos para reorganizar a área de RH da operadora de planos de saúde. “Não vim por salário. O que me motivou foi a chance de começar tudo do zero”, afirma. O cenário na nova empresa era crítico. Logo que chegou, encontrou um RH sob o modelo de departamento pessoal. Os quatro profissionais que ali estavam cuidavam apenas da parte burocrática. Não existia uma gerência de RH, que foi criada somente dois meses após o ingresso de Daniela. Agora existe um comitê nacional de RH para que os gestores de todas as Unimeds possam trocar experiências sobre os pilares de recursos humanos. Aos poucos, Daniela vem transformando o RH em uma área importante dentro da empresa. Para isso, reforçou sua equipe, com a contratação de mais cinco pessoas, que cuidam de questões estratégicas.

Outro profissional que decidiu trocar de emprego sem obter uma vantagem financeira é o executivo Maurício Ignacio, diretor de RH da Coca-Cola Guararapes. Descontente onde estava, Ignacio resolveu, seis meses atrás, partir em busca de projetos mais ambiciosos, de escopo global. “A empresa anterior era familiar e tinha um sistema de governança frágil”, afirma. “Quando deparei com a proposta da Coca-Cola, não pensei duas vezes.” Segundo Ignacio, o aspecto preponderante em sua decisão foi o fato de a Coca-Cola valorizar o RH. Tanto que ele se reporta diretamente ao presidente e participa de decisões importantes na companhia. Além da Coca-Cola, Ignacio recebeu outras ofertas de emprego. “Eu disse não às demais propostas exatamente porque eram empresas que buscavam líderes para comandar estruturas que mais pareciam com os antigos departamentos pessoais”, conta o executivo.

Se, de um lado, a valorização do profissional de RH se reflete em novas oportunidades, de outro, cria um quebra-cabeça para as companhias. Achar o perfil desejado tem sido uma guerra sem fim. “Não há tanta gente boa assim disponível”, diz Glaucy Bocci, gerente das práticas de liderança da consultoria Hay Group. A procura hoje é maior por quem entende do negócio, que tenha passado por outras áreas como marketing, vendas e finanças e conheça o mercado. “Não existe mais a preferência por psicólogos com formação em recursos humanos. O profissional precisa ter uma visão ampla do que é uma empresa”, diz Glaucy.

Por ter esse olhar voltado ao negócio, Maria de Fátima Albuquerque assumiu a diretoria de RH na Totvs, empresa que desenvolve softwares de gestão. Há um ano e meio ela vem promovendo uma série de mudanças na área. O objetivo é ter atuação mais estratégica e uma política de remuneração forte. Para isso, reforçou a equipe. Foram contratadas dez pessoas do início do ano para cá, chegando a 40 profissionais. Com o mercado aquecido, a rotatividade tem aumentado de forma significativa, provocando uma falta de gente qualificada para ocupar as vagas em aberto. Resultado: a disputa por profissionais é tanta que boa parte das empresas tem “roubado” talentos dos concorrentes, inflacionando salários. Um levantamento feito pela Michael Page mostra que o cargo de gerente de RH está entre os mais demandados, com remuneração média mensal de 16 500 reais. É um patamar que supera a de profissionais com salários tradicionalmente maiores.

Por exemplo, um gerente de tecnologia da informação ganha hoje em torno de 11 000 reais. “A valorização do profissional de RH é tanta que os salários também ficaram mais próximos aos de executivos que exercem funções estratégicas nas empresas, como as de marketing ou de finanças”, afirma De Lucca, da Michael Page. A estimativa é que houve um crescimento de 20% a 25% em relação à remuneração média praticada no passado. “Mas vale ressaltar que, embora a remuneração seja maior, os profissionais não buscam salários mais altos. A troca de emprego tem sido motivada pela busca de novos desafios”, diz De Lucca. Quando Carolina Frias topou o convite para ser gerente de RH da BRQ, fornecedora de serviços em TI, sua meta não era ganhar mais, apesar de ter tido um aumento em relação ao salário anterior. Carolina queria dar um novo passo na carreira. Acostumada a exercer função generalista, deixou a posição em um banco de investimentos para trás em busca de algo diferente. Ela conta que foi seduzida pela proposta de atuar em recrutamento e seleção. Desafio interessante do seu ponto de vista, já que tem pela frente a tarefa de estruturar uma área bastante complexa em meio ao cenário aquecido. “Aqui, tentamos unir negócios ao fator humano, que não pode ser deixado de lado”, diz Carolina.

O troca-troca de emprego não se restringe aos cargos executivos. De acordo com Marcelo Paolucci, gerente da divisão de RH da empresa de recrutamento Hays, os analistas que têm esse novo perfil exigido do profissional de recursos humanos também estão em alta. “As companhias precisam de analistas com visão estratégica, que criem programas para reter o profissional que quer sair, melhores políticas de remuneração e de benefício”, diz Paolucci. Ao contrário do que se via no passado, o consultor afirma que, apesar dessa corrida por especialistas, o perfil não é de alguém técnico. O aspecto comportamental é fundamental. Ou seja, é necessário conhecer a cultura da empresa e fazer com que os talentos estejam em linha com a organização.

Na Sankhya, empresa de Uberlândia, em Minas Gerais, que fornece softwares de gestão, a busca por profissionais alinhados ao negócio se tornou questão prioritária. Para isso, reestruturou a área de RH, responsável por contratar pessoas que se encaixem em sua cultura. Não só trocou a coordenação da área, como está expandindo a equipe. Em 2010, a meta da Sankhya é alcançar um faturamento de 30 milhões de reais e dobrar o número de funcionários, que hoje é de 400 pessoas. “Estamos discutindo ações para melhorar o recrutamento, reavaliando os planos de carreira que tínhamos e a comunicação interna para suportar esse crescimento acelerado”, diz Maria Julia Carvalho Abreu, coordenadora do departamento de desenvolvimento humano da Sankhya.

Procuram-se profissionais de TI

O Povo Fortaleza – 23/09/2010

O bom momento pelo qual está passando a economia brasileira se reflete-se positivamente na demanda por profissionais qualificados em Tecnologia da Informação (TI). A International Data Corporation (IDC) realizou estudo que aponta para criação, até o final de 2013, de pelo menos 2.700 novas empresas de TI, o que geraria cerca de 1 milhão de oportunidades de trabalho. Para atender essa demanda é necessário, porém, a qualificação de profissionais.

Mão de obra qualificada ainda é o principal entrave do setor: sobram vagas e faltam profissionais capacitados tanto para gerenciar os projetos já existentes quanto para os que surgirem nos próximos anos.

É pelo que tem passado a BRQ, empresa de TI, instalada há dois anos em Fortaleza. Há três meses, empresa abre constantemente vagas que não são efetivamente preenchidas.

Perfil das vagas

São necessários desenvolvedores: profissionais de análise e programação nos ambientes de desenvolvimento .Net, Java, Powerbuilder e, eventualmente, Cobol para projetos que estão sendo realizados na fábrica em Fortaleza para clientes locais, da região Nordeste ou de abrangência nacional. Procurados ainda analistas funcionais: profissionais com conhecimentos de negócios para implantação e pós-implementação de ERP, particularmente no ambiente Oracle.

Empresas procuram mão de obra na área de tecnologia da informação

CRN – 23/08/2010

As empresas de tecnologia da informação pagam bem, têm vagas sobrando e sofrem cada vez mais para conseguir profissionais qualificados. 

Um computador desacompanhado, mais um, outro. Uma empresa procura por 200 profissionais em tecnologia da informação e não encontra. O salário pode chegar a R$ 15 mil para consultores com nível senior e gerentes de projeto.
Está tão difícil preencher essas vagas que a empresa abriu um escritório dentro de uma faculdade para atrair estagiários e recém-formados, criou um programa de treinamento pra formar mão-de-obra e, olha só, dá até prêmio para os funcionários quando eles indicam algum parente ou amigo para trabalhar.

Se o indicado é contratado, o funcionário ganha um vale-compras de R$ 200 e a gratidão do amigo. “Olha, até que ele merece receber uma cervejinha”, brinca o analista de sistemas, Renato Tavares.

Renato ficou desempregado e, uma semana depois, já estava trabalhando na empresa, graças ao André, que também emplacou um outro amigo. “Eu ganhei dois vales em um valor de R$ 400″.
Por causa da falta de funcionários, a empresa deixa de ganhar cerca de R$ 3 milhões por mês, segundo o presidente da companhia, Benjamin Quadros.

“Hoje a nossa empresa forma muito mais gente do que formava cinco anos atrás. A cada ano que passa, o nosso negócio se torna muito mais de formação de gente do que seleção de pessoas”.

Uma pesquisa com as empresas de tecnologia da informação, ou TI como são conhecidas, mostra que 86% delas estão precisando de programadores; 50% de analistas de sistemas; 34% de técnicos de suporte, o chamado help-desk.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas, até 2014, haverá um déficit de 800 mil vagas no setor. “Nós não temos gente se formando, em volume que essa demanda apresenta hoje”, afirma o professor da FGV, Fernando Meirelles.

A Associação Brasileira das Empresas de TI, diz que representa as indústrias de tecnologia da informação, diz que também é preciso alinhar o ensino ao mercado.

“Há uma defasagem tecnológica entre os profissionais que são formados e a tecnologia que é aplicada no mercado. Então precisa haver essa sintonia fina entre universidades, centros formadores de mão de obra e as necessidades das empresas“, afirma o diretor da Associação, Sérgio Sgobbi.

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