Como o IPO vai afetar as empresas de TI

Softex – Computerworld Online – 23/09/2010

O amadurecimento do mercado de tecnologia da informação pode aumentar a presença desse setor na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), até hoje escassa. A avaliação é do diretor da Acquisitions, Ruy Moura.

Entre os fatores que devem desencadear esse movimento, ele cita a ampliação do próprio faturamento de TI, de 1,5% para 3% do PIB, nos próximos dois ou três anos, além do processo de consolidação dos fornecedores.

“Com isso, muitas vão precisar buscar a oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) para obter recursos”, diz Moura. “A partir de 2010, o Brasil descolou o mercado externo do interno, e, nos próximos anos, deverá apresentar um crescimento acentuado, de 4% a 6%, agregando novos consumidores, com forte investimento privado em infraestrutura”, acrescenta.

E o mercado vai precisar de recursos para viabilizar a expansão. Sem condições de atender à demanda, companhias de pequeno porte serão compradas por outras maiores, que, por sua vez, precisarão de capital. “As empresas de TI que faturam entre 800 milhões de reais e 1 bilhão de reais são candidatas a realizar um IPO nos próximos anos”, diz o consultor.

O País já viveu uma onda de IPOs, que foi interrompida pela crise financeira. Mas, entre as empresas que abriram capital, poucas eram do setor de tecnologia. Hoje, segundo a classificação da BM&FBovespa, há apenas sete empresas de TI listadas em bolsa: ¬ Bematech, Ideiasnet, Itautec, Positivo, Tivit, Totvs e Universo Online.

Embora espere IPOs de empresas de grande porte, o consultor da Acquistions não descarta abertura de capital em empreendimentos menores, uma meta da própria Bovespa. Mas o presidente da prestadora de serviços de TI, BRQ, Benjamin Quadros, acredita que isso não é para já.

“Na Bovespa, a IPO de companhias menores é uma aposta que ainda não se materializou. No Canadá e na Inglaterra, esse movimento demorou de dois a três anos para amadurecer. Mesmo assim, estou otimista”, relata o presidente da empresa, que obteve receita de 240 milhões de reais em 2009 e pretender abrir o capital. “Meu interesse é ter uma governança transparente, um plano de perpetuidade do negócio e uma transparência em relação ao valor da companhia. Isso é bom quando se quer, no futuro, crescer via aquisição ou associação”, argumenta.

Cultura da transparência

Moura reconhece a importância do ‘pré-IPO’. “É preciso se preparar com antecedência, adotar práticas de governança corporativa. Se não há transparência, deve-se adotar um processo gradual de aculturamento. E abrir seus planos estratégicos para o público interno também. No setor, não temos a cultura de compartilhar as estratégias”, ensina. As poucas empresas de TI que abriram capital nos últimos anos foram para o Novo Mercado da BM&FBovespa, que lista empresas adeptas de práticas de governança, além das exigidas pela legislação.

Com isso, algumas colheram outros benefícios, além do reforço de caixa. “Um ponto relevante foi o impacto sobre a imagem. O mercado passou a falar mais da Totvs, e não só da tecnologia, mas também da sua gestão”, afirma o seu vice-presidente-executivo e financeiro, José Rogério Luiz. A empresa já possuía auditoria externa desde 1997, e um conselho administrativo com integrantes externos, desde 1999. E ainda ofereceu um plano de stock option (outorga de ações da empresa para funcionários) para cerca de 2 mil colaboradores, entre 1999 e 2002.

A Totvs realizou seu IPO em março de 2006, quando levantou R$ 460 milhões. A partir de então, fez uma série de incorporações e, até dezembro de 2009, seu faturamento cresceu 4,5 vezes; o Ebitda, 8,5 vezes; e o preço da ação subiu de 32 reais para 130 reais. “Durante a crise, a curva da Totvs desgrudou das outras empresas de tecnologia e da Bovespa”, comemora Luiz.

Para o analista do banco Santander, Valder Nogueira, a Totvs se destaca. “É, disparada, o maior sucesso entre as empresas de TI da Bovespa, com fundamentos fortes e estratégia acertada de conversar com fundos de tecnologia. Faz road shows nos Estados Unidos e na Europa. Com isso, prospecta mercado; ao falar com investidores, transformou muitos em clientes. Vários fundos de investimento usam o software deles.” Para Nogueira, a Totvs será uma das empresas que irão liderar o processo de consolidação do setor de TI no Brasil.

BRQ vai buscar aquisições para viabilizar IPO

Inside Online – 5/08/2010

Com o propósito de ganhar musculatura para realizar a abertura de capital (IPO) dentro de quatro anos, a BRQ IT Sevices, fornecedora brasileira de serviços de TI, manterá a estratégia de crescer por meio de aquisições. Até o fim deste ano, a empresa espera comprar uma ou até duas empresas.

Sem divulgar quanto pretende investir no processo de consolidação, o presidente da BRQ, Benjamin Quadros, afirmou que a meta é adquirir empresas que, além de incrementar a carteira de clientes, tragam ofertas de serviços complementares ao portfólio da companhia.

Considerando somente o crescimento orgânico, a BRQ planeja fechar este ano com faturamento de R$ 230 milhões, o que representará um aumento de 15% ante os R$ 200 milhões obtidos em 2009. O executivo ressalta, entretanto, que caso sejam confirmadas a compra de empresas, a BRQ pode atingir faturamento de cerca de R$ 300 milhões neste ano. Além do montante aplicado nas aquisições, a BRQ investirá quase R$ 7 milhões, sendo R$ 6 milhões em hardware, software e serviços, e mais R$ 750 mil em capacitação.

Quadros diz que para conseguir iniciar o processo de abertura de capital, uma companhia precisa deter faturamento de cerca de R$ 1 bilhão. Por esse motivo, o executivo afirma que a BRQ manterá a estratégia de crescimento inorgânico. “Esse será um processo contínuo. É necessário para termos condições de realizarmos a abertura de capital e somado ao crescimento orgânico, acredito que em quatro anos teremos porte suficiente para atingirmos tal objetivo”, salienta.

Entretanto, o executivo revelou que acompanha vai olhar com bastante atenção a possibilidade da Bolsa de Valores de São Paulo criar condições especiais para permitir a abertura de capital por pequenas e médias empresas. Trata-se do Bovespa Mais, segmento de listagem do mercado de balcão organizado administrado BM&F Bovespa e idealizado para tornar o mercado acionário brasileiro acessível a um número maior de empresas, em especial, àquelas particularmente atrativas aos investidores que buscam investimentos no médio e longo prazo e cuja preocupação com o retorno potencial sobrepõe-se à necessidade de liquidez imediata.

Segundo a Bovespa, as empresas candidatas ao Bovespa Mais são aquelas que intencionam ingressar no mercado de capitais de forma gradativa, destacando-se as de pequeno e médio portes, que buscam crescer utilizando o mercado acionário como importante fonte de recursos. “Esta será uma oportunidade bastante atrativa para a BRQ”, resume Quadros.

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