Setor de tecnologia deve ter mais três empresas na Bolsa

Imagem da matéria Setor de tecnologia deve ter mais três empresas na Bolsa publicada em DCI em 03-11-09

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O setor de tecnologia, hoje representado por apenas seis empresas na Bolsa de Valores de São Paulo, deve ser responsável por boa parte dos próximos IPOs (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações). Pelo menos três empresas estão planejando abertura de capital para os próximos anos. Em estágios diferentes, Alog Data Center, BRQ e Cimcorp estão perto de negociar suas ações no mercado brasileiros.

“Acredito que ainda não estamos preparados para o mercado, mas o nosso plano é abrir o capital em dois a três anos”, revela Benjamin Quadros, presidente fundador da BRQ, uma prestadora de serviços de Tecnologia da Informação com faturamento anual de R$ 200 milhões. “Acredito que, para ter sucesso na abertura de capital, temos de chegar a R$ 800 milhões. Nossa meta é chegar a R$ 1 bilhão em faturamento daqui quatro anos”,completa.

Quadros só admite antecipar a abertura de capital caso o mercado brasileiro mude. “Se o programa Bovespa Mais [criado para incentivar a abertura de capital de pequenas empresas] andar, podemos entrar antes no mercado.”

Um dos sócios da BRQ é o braço de participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES Par. “Eles investiram R$ 56 milhões na companhia em 2007, e pediram para que iniciássemos um processo de abertura de capital. Eles acreditam no projeto, e querem fortalecer as empresas de tecnologia de capital nacional.”

Já a Alog está iniciando seu projeto de entrada na Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo Emanuel Dutra, diretor financeiro, a companhia acabou de contratar uma assessoria para analisar a melhor maneira e o tempo necessário para a abertura de capital. Mas acredita que o potencial para empresas do porte da Alog é muito bom. “Inevitavelmente, o mercado vai se preparar para receber empresas de menor porte. Hoje, nos Estados Unidos, a média de captação na Bolsa é de US$ 50 milhões. E essa será a realidade aqui também”, opina.

Nos nove primeiros meses deste ano, a Alog registrou um faturamento de R$ 52 milhões, 30% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. “Este tem sido nosso ritmo de crescimento, de 30% ao ano. Uma empresa como a nossa tem maior potencial de crescimento do que as grandes empresas, e por isso, se tornam um bom negócio”.

A Alog oferece terceirização de infraestrutura de tecnologia, e tem como clientes principalmente médias e grandes empresas, como a Petrobras, que é cliente da companhia. “É um serviço que ainda enfrenta resistência por parte das pequenas empresas, mas acredito que nosso potencial de crescimento é bem consistente”, afirma Dutra.

Ambos acreditam que ainda haverá um movimento de consolidação muito forte nesse setor. “Cerca de 60% do mercado está na mão de algumas grandes empresas, e 40% está bem pulverizado. E nós estamos estudando as oportunidades”, afirma Quadros, da BRQ. “Esse é um setor que ainda guarda muitas chances, e nós estamos na ponta consolidadora”, relata Dutra.

A Cimcorp, que também presta serviços de tecnologia para empresas, afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que estuda a abertura de capital da companhia já para o primeiro trimestre de 2010. Até o fechamento da edição, não foi possível entrevistar o porta-voz da companhia.

Boa rentabilidade

As empresas do setor que já estão listadas em Bolsa proporcionam ótimo retorno a seus acionistas esse ano. Os papéis ON da Positivo Informática se valorizaram mais de 400% nos últimos 12 meses. No mesmo período, as ações ordinárias da Totvs subiram 160,24%, as da Ideiasnet, 132,90%, e as da Bematech, mais de 118%. Os papéis preferenciais do UOL se valorizaram 78,35% no período. Ainda nova no mercado de capitais, os papéis da Tivit não demonstram desempenho animador: queda de 10% desde o lançamento, em 28de setembro.

“A perspectiva para o mercado de tecnologia e TI é cada vez melhor porque o mundo caminha para uma conectividade cada vez mais forte”, explica Hélio Bampi, diretor de relações institucionais da Associação das empresas de soluções de telecomunicações em informática (Abeprest).

Acionistas, investidores e ex-conselheiros da Ideiasnet apresentaram uma oferta pública para aquisição (OPA) das ações ordinárias da companhia. A proposta foi feita pela Centennial As set Mining Fund, Hanko e Fundo de Investimento em Participações, Fundos Mercatto, Total Return Investment e Gustavia Investors, que juntos possuem 30. 331.499 das 104.432.772 de ações de emissão da companhia.