25 de novembro de 2013 walacy

Real valorizado adia ‘sonho indiano’

Folha de S. Paulo – 25/11/2010

Empresas brasileiras de tecnologia abandonam plano de ser a “nova índia” em software e miram mercado nacional

Dólar a R$1,70 faz serviços das empresas brasileiras custarem 30% a mais que os das concorrentes indianas

A valorização do real e a pressão por custos entre empresas norte-americanas, principais compradoras de serviços de tecnologia da informação, estão fazendo empresas brasileiras repensarem as vendas externas.

A vocação para ser “a nova índia” em exportação de serviços de programação de software, amplamente alardeada pelo setor nos últimos anos, passou a ser revista e empresas brasileiras voltam suas atenções para o mercado nacional.

“Antes da crise, víamos um movimento crescente de diversificação aos serviços indianos, mas a pressão cada vez maior por custos inibiu a diversificação”, diz Benjamin Quadros, presidente da BRQ Software.

Serviços como desenvolvimento de software e programação movimentam por ano cerca de US$ 565 bilhões, segundo a consultoria americana IDC. Empresas norte-americanas respondem por 37% do volume comprado.

A Índia é a principal fornecedora desses serviços e tradicionalmente cobra menos do que as empresas brasileiras -algo atribuído principalmente à carga tributária. Com a valorização do real, a disparidade passou a ser ainda maior.
Com o dólar no patamar de R$ 1,70, os custos dos serviços brasileiros estão 30% acima dos das indianas.

“Hoje um funcionário com os benefícios custa o dobro de seu salário bruto para a empresa. Com a alta carga tributária para as empresas muito intensivas em mão de obra, isso torna as exportações praticamente proibitivas”, diz Antonio Gil, da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação.

O efeito da valorização do real está principalmente no valor exportado. Enquanto a índia venderá cerca de US$ 60 bilhões em serviços de TI, as exportações brasileiras somarão US$ 4 bilhões.

Há dois anos, a BRQ adquiriu uma empresa americana de serviços com faturamento de US$ 7 milhões. A intenção, segundo Quadros, era utilizá-la como atalho para a expansão nos EUA e atingir US$ 50 milhões neste ano. O faturamento externo, porém, será de US$10 milhões.
Assim como outras companhias brasileiras de serviços, a alternativa está nos clientes nacionais, sobretudo bancos, empresas do setor de telecomunicações e do ramo de petróleo e gás. No ano, a companhia estima faturar R$ 240 milhões, crescimento de 20% sobre 2009.

Mercado Local

Segundo Reinaldo Roveri, da IDC, o mercado brasileiro é saudável principalmente porque permite às empresas nacionais investir em oportunidades internas, sem depender das vendas para clientes estrangeiros.
“O Brasil tem hoje um mercado interno de tecnologia e telecom de US$ 90 bilhões, maior do que o da Rússia e o da índia somados”, diz.
Eventos esportivos que serão realizados no Brasil, como a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, também devem contribuir. Segundo a consultoria A.T. Kearney, os dois eventos devem movimentar US$ 5,7 bilhões somente em tecnologia.

Serviço com alta inovação é opção para setor

Diante das instabilidades trazidas com o real valorizado, integrantes do setor sugerem que o Brasil passe a ser fornecedor de serviços completos de tecnologia.

“Faria muito mais sentido se o Brasil assumisse um papel semelhante ao de Israel ou Irlanda, que desenvolvem serviços com alto grau de inovação”, diz Ruben Delgado, da Assesspro Nacional (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação).

Alguns empresários já começam a adotar essa tática. Com presença em 17 países, a Stefanini IT Solutions viu no fornecimento de serviços mais completos uma possibilidade de cobrar um pouco a mais pelas ofertas.

“Em vez de operar apenas como fábrica de software, estamos criando centros de competência, em que nossos funcionários interagem com o negócio do clien te. Assim podemos, de fato, cobrar a mais por isso”, diz Marco Stefanini, presidente da companhia, que vai faturar R$ 820 milhões neste ano -20% de exportações.

Força de Trabalho

Apesar das aspirações internacionais, o Brasil tem hoje deficit de mão de obra.

Segundo a Brasscom, há 1,7 milhão de profissionais do setor. O número anual de formados chega a 90 mil, mas ainda existe deficit de 80 mil especialistas.

“Até 2020, precisamos de mais 750 mil pessoas”, diz Antonio Gil, da Brasscom.

Segundo Gil, na agenda de prioridades que devem ser enviadas ao próximo governo estão o incentivo à formação de mão de obra especializada e a desoneração da folha de pagamento.

Atualmente, os encargos trabalhistas atingem 36% da folha de pagamento, e a reivindicação é que a taxação seja proporcional ao faturamento da empresa. Para os especialistas, essa seria uma forma de reduzir as disparidades com os custos de serviços prestados por outros países.

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walacy Publicitário, Profissional de Marketing especialista em Digital. Formações em Design Gráfico e em Artes Gráficas. Trabalha aliando design para web com o tripé do marketing digital (SEO, SEM e Inboud Marketing).

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