23 de novembro de 2010 walacy

A receita conjunta das empresas da região representa 56,49% do total do ranking do “middle market”

Valor Econômico – Nacional – NA – 23/11/2010

A receita conjunta das empresas da região representa 56,49% do total do ranking do “middle market”.

Mais de metade das receitas das 1000 companhias integrantes do ranking desta edição está na região Sudeste. São exatos 56,49%: R$ 70,9 bilhões para R$ 125,5 bilhões. O percentual é absolutamente o mesmo da participação do Sudeste no PIB brasileiro, segundo a última pesquisa das contas regionais do IBGE, referente a 2007. Também como comprovação da concentração econômica no país, São Paulo é que carrega boa parte da receita do Sudeste. No Estado estão 36,74% das receitas totais das companhias do ranking. O Sudeste abriga 562 das 1000 empresas do ranking.

A segunda maior concentração de receita das empresas está no Sul (22,71% do total). Mas, diferentemente do Sudeste, não há grande concentração num único Estado. Rio Grande do Sul (8,65%), Paraná (8,04%) e Santa Catarina (6,02%) têm participações próximas. Pela ordem, são as seguintes as participações das demais regiões: Nordeste (12,31%), Centro-Oeste (5,17%) e Norte (3,32%).

Apesar das diferenças, não há grande variação na média de faturamento das empresas em cada região: Sudeste (R$ 126,1 milhões), Sul (R$ 125 milhões), Nordeste (R$ 118,8 milhões), Centro-Oeste (R$ 135,1 milhões) e Norte (R$ 130,1 milhões).

Responsável por 56% da riqueza criada no país, a região Sudeste tem a mais diversificada economia do Brasil perfil que define também o universo de pequenas e médias empresas, espalhadas em variados segmentos, como tecnologia da informação (TI), serviços de saúde, segurança, logística, infraestrutura, agronegócios e energia. A movimentação desse contingente empresarial acompanha a evolução do momento econômico e o grau de atratividade que a região exerce por sua força.

Em alguns setores, a efervescência é maior como é o caso de tecnologia da informação. A maioria dos negócios aí está concentrada no eixo Rio-São Paulo e movimenta no país cerca de US$ 100 bilhões anuais. Para as empresas, crescer de forma orgânica ou por meio de aquisições exige cada vez mais alternativas de financiamento, o que, em muitos casos, significa bater às portas do mercado de capitais.

A intensa movimentação na área pode ser comprovada pelo ritmo de expansão das empresasem geral na casa dos dois dígitos. Fundada em 1993, a BRQ é um exemplo: tem crescido à média de 40% ao ano. Com 2 mil funcionários, os planos de crescimento são ambiciosos: “Nossa intenção é ampliar a presença no Brasil e fortalecer as exportações”, diz o fundador da empresa, Benjamim Quadros. A meta: chegar a um faturamento de R$ 1 bilhão nos próximos anos. Em 2008, a empresa recebeu um aporte de R$ 56 milhões do BNDES. No contrato, uma das alternativas para o futuro da empresa é a abertura de capital. “Participar do Bovespa Mais é uma opção interessante para o futuro, mas hoje o mercado não se interessaria por uma operação do nosso porte”, diz Quadros. A BRQ deve atingir receita de R$ 240 milhões este ano, obtendo cerca de 10% dessa cifra no mercado externo, onde os Estados Unidos aparecem como destino de 90% das vendas.

Outro setor de grande presença na região Sudeste e com forte dinamismo é o de saúde. Apenas na cidade de São Paulo deverão ser investidos R$ 2 bilhões na criação de pouco mais de 2 mil leitos em hospitais privados nos próximos quatro anos, de acordo com estimativas divulgadas por fundos de “private equity”. A aplicação de recursos ocorre pelo aumento da demanda: a parcela de habitantes com mais de 60 anos cresceu cerca de 20% nesta década na cidade, e a ascensão social fez que 1 milhão de paulistanos tenham aderido a planos de saúde.

Alguns especialistas não descartam, por exemplo, a possibilidade de um movimento de abertura de capital por hospitais privados. E também apostam em um processo de consolidação entre as operadoras de saúde, porque há muitos casos em que uma única empresa administra poucos clientes.

A ebulição do crédito mais acessível e o aumento da renda se refletem também no número de veículos em circulação nas ruas brasileiras. A essa equação soma-se uma variável de peso: o alto índice de furto de veículos, que em algumas cidades chega a 14 por mil.

“Nossos negócios vão muito bem”, diz Martin Hackett, presidente da Zatix, que atua no mercado de rastreamento tanto de veículos leves quanto pesados. Segundo ele, a receita deve atingir R$ 260 milhões este ano. “A taxa de penetração desse sistema de rastreamento no Brasil é de 1,5%, muito baixa se comparada à da África do Sul, onde 20% dos veículos usam algum tipo de rastreamento”, analisa.

A empresa está fazendo um esforço nos canais de distribuição, de olho em uma regra que poderá obrigar as montadoras, a partir do ano que vem, a instalar dispositivos de rastreamento nos veículos na linha de montagem. “Aí teremos de convencer os compradores a ativar o sistema conosco”, diz Hackett. A empresa trabalha com meta de atingir faturamento de R$ 1 bilhão nos próximos anos e de internacionalizar as operações, buscando mercados da América Latina e outros emergentes, como o da Rússia, parecido com o brasileiro.

A área de infraestrutura, com o horizonte de Copa e Olimpíada pela frente, é outra que espera um crescimento vigoroso. “Com projetos bilionários de energia, transportes e telecomunicações, a indústria está preparada para dar um salto nesta década, com muitas oportunidades”, diz o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy. O setor rodoviário é um exemplo. Cerca de 60% das mercadorias produzidas no Brasil são transportadas em estradas. Boa parte da malha rodoviária privatizada está na região Sudeste, com destaque para o Estado de São Paulo, que detém alguns dos melhores trechos do país, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

O bom desempenho da economia tem contribuído para o aumento do faturamento da Triângulo do Sol, concessionária paulista que administra pouco mais de 400 quilômetros de trechos concedidos pelo Estado de São Paulo e é a sétima maior empresa por receita líquida no ranking do Sudeste. Entre janeiro e setembro, o movimento em suas estradas teve alta de 12%. Em 2010, o faturamento bruto deve atingir R$ 300 milhões, alta de 20% ante o ano anterior. Para 2011, poderá chegar a R$ 320 milhões, diz o presidente da concessionária, José Renato Picciani.

Em junho de 2010, a empresa concluiu o investimento de R$ 200 milhões, iniciado em 2008, para duplicação e recuperação de um dos trechos administrados. Os acionistas da concessionária o grupo brasileiro Leão Leão e o italiano Atlantia, que detém a Autostrade per L’italia prevêem aumentar sua participação no segmento e pretendem ampliar negócios no segmento, como a construção do novo trecho do Rodoanel e novas concessões. “A abertura de capital é algo bem visto pelos acionistas, mas, para concretizar esse passo, é preciso ampliar nossa atuação e ter mais duas ou três concessões”, diz Picciani.

A área de logística está sendo impulsionada pela necessidade cada vez maior das empresas de reduzir custos e encurtar distâncias nas cadeias produtivas. A paulista AGV Logística, décima no ranking do Sudeste, por exemplo, teve crescimento de 55,4% na receita líquida em 2009 e prevê um salto não menos importante este ano. “Acreditamos que o mercado de operadores logísticos continuará crescendo acima dos dois dígitos nos próximos cinco anos pelo menos”, diz o presidente da empresa, Vasco Carvalho de Oliveira Neto. Para financiar parte de seus investimentos de expansão, a empresa foi buscar recursos em fundos de capital de risco. Em 2008, uma participação minoritária da empresa foi adquirida pela Equity International, fundo de participações comandado pelo empreendedor Sam Zell. “Além disso, também crescemos com dívida estruturada, dentro de uma equação que visa maximizar o retorno aos nossos acionistas”, analisa Oliveira Neto.

O ingresso no mercado de capitais por meio de oferta inicial de ações (IPO) é uma opção que deve ser estudada no médio e longo prazo. Crescer é importante. “O mercado ficou muito seletivo para os processos de abertura de capital, em especial em relação a tamanho, já que o investidor busca liquidez”, diz.

Como maior centro produtor de cana do Brasil, São Paulo pode assistir a um novo ciclo de expansão do setor de açúcar e etanol hoje ainda bastante pulverizado. Os dez maiores grupos respondem por 34% da produção nacional. Há espaço tanto para consolidação quanto para formação de novos grupos que podem surgir no cenário. A perspectiva, porém, segundo estudos de analistas do setor, depende de muitas variáveis. O etanol precisaria ganhar espaço nos mercados europeu e americano e substituir 10% da gasolina usada no mundo. Assim novas empresas poderiam surgir e romper a atual estrutura familiar que predomina no setor.

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