30 de julho de 2011 walacy

Pausa para Reciclar

Você S/A – Nacional – 30/07/2011

A tendência no mundo corporativo é fazer várias paradas durante a carreira para estudar e ter novas experiências

A população brasileira está vivendo mais e melhor. Prova disso é que o número de pessoas ocupadas com mais de 50 anos aumentou 56,1% de 2003 a 2011, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa faixa etária representa 19,8% da população ocupada. Porém, uma nova tendência está tomando conta do mercado profissional e mudando a tradicional idéia de que a vida corporativa se resume a começar a trabalhar logo depois de concluir a faculdade e se aposentar uns 30 anos depois. A moda agora é fazer a aposentadoria por etapas. É um jeito de o profissional parar por volta dos 50 anos, ficar uns dois anos sem trabalhar e voltar ao mercado de trabalho por mais um período, até se aposentar definitivamente. A idéia já caiu no gos to de muita gente e, segundo especialistas, pode virar um fenômeno.

O primeiro fator que contribui para a inclusão dos recém-aposentados no mercado de trabalho é que muitos deles ainda estão totalmente capazes de desempenhar suas atividades e com muita vontade de realizá-las. “Hoje, uma pessoa com 50 anos ainda é nova, bem disposta e, se tiver um grande conhecimento técnico, não há por que ficar fora do mercado de trabalho”, afirma Matilde Berna, diretora de transição e gestão de carreiras da consultoria de recursos humanos Right Management, em São Paulo. Porém, essa volta ao mercado nem sempre é programada.

Alguns profissionais são obrigados a retomar as atividades porque não se planejaram financeiramente para viver tranqüilamente após o fim da atividade profissional. Somente depois de parar de trabalhar é que as pessoas percebem que o dinheiro da aposentadoria recebido do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que varia de 545 reais, valor equivalente ao salário mínimo, a 3 416,54 reais pode não ser suficiente. Ainda mais porque nessa fase os gastos com despesas médicas aumentam e a renda diminui. Há outro grupo de profissionais que quer voltar ao mercado de trabalho porque não se adaptou à rotina de um aposentado convencional. Eles têm poucas atividades durante o dia e acabam se transformando em motoristas e office-boys da família. Eles também sentem falta da agitação e do convívio que o ambiente de trabalho proporcionava e, dependendo do cargo que tinham, se ressentem de não ter mais poder para tomar decisões importantes nem gerenciar uma equipe. Mas o retorno é vantajoso para o profissional e para a empresa

Profissional Mimado

Há situações em que o mercado vai buscar o profissional aposentado, e são cada vez mais freqüentes, já que o rápido crescimento econômico que acontece no Brasil impulsiona o desenvolvimento de determinadas áreas que sofrem com a escassez de mão de obra. No entanto, não há tempo para aguardar que novos profissionais se graduem e adquiram experiência para estar aptos para o trabalho. Para atender a demanda rapidamente com pessoas experientes, por já terem atuado na área, é muito comum que as empresas recontratem quem já saiu do mercado. Esse movimento é muito comum em setores como engenharia, tecnologia da informação e construção civil. “Qualquer que seja o motivo, não é demérito nenhum voltar a trabalhar. É preciso analisar se há um significado para o aposentado”, diz Matilde Berna.

Até mesmo os profissionais ligados a áreas que estão aquecidas devem ter consciência de que esse pode ser um momento pontual no mercado de trabalho, pois o caminho natural exige a reciclagem de mão de obra, com a chegada de pessoas mais novas. Uma parada de alguns anos, por menor que possa parecer, pode significar que você ficou defasado, que determinados métodos já não são mais utilizados.

O profissional mais experiente, que pensa ter um período sabático, deve planejar a parada de forma coerente e aproveitá-la para continuar a se atualizar e não correr o risco de ficar para trás. “A empresa só tende a ganhar, pois terá um funcionário especializado, com experiência, garra, proativo e com maturidade emocional”, diz Roberto Heloani, professor de psicologia do trabalho da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

Outra vantagem para quem volta por meio de uma oferta é poder negociar melhores condições de trabalho. Um dos quesitos que mais animam é a possibilidade de ter jornada reduzida. Isso é possível para quem volta para a empresa com uma posição privilegiada, como consultor ou especialista, e não precisa cumprir longas horas diárias e tem ainda a chance de ser liberado para ir ao médico ou às sessões de fisioterapia.

Preparação Eficiente

Mas tudo tem um lado bom e um lado negativo. “Quem retorna somente porque está com dificuldades financeiras, contra a vontade, pode vir a ter problemas de saúde”, diz Beatriz Braga, professora de gestão e carreiras da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP). Para ajudar os executivos a decidir o que fazer depois de aposentados, a Mariaca, consultoria de carreira executiva, criou um programa denominado Whafs Next, com o objetivo de suavizar esse momento e mostrar as reais possibilidades do mundo pós-trabalho. “Se aposentar não é muito fácil, pois você vai sair de seu ritmo de vida que tem há anos, sentirá falta de seu círculo de amizades e do trabalho, mas o mercado está cheio de oportunidades. Para aproveitar, é preciso de planejamento”, diz Yukiko Takaishi, diretora da Mariaca. O programa pode durar de seis meses a um ano e conta com várias etapas, que vão desde a elaboração de um panorama da aposentadoria e o que ela representa para o executivo até a concretização do plano de ação.

Pelo Mundo

No exterior, o movimento de fazer interrupções durante o período de trabalho não se restringe apenas aos profissionais que estão perto de aposentadoria. Os jovens já descobriram esse caminho e cada vez mais fazem uso de longas férias para aproveitar uma viagem, um curso e depois retornar ao mundo corporativo. A tendência é esse movimento se tornar mais comum, afinal, um dos fatores que contribui para isso é o jovem não ter mais o ideal de trabalhar a vida inteira numa única empresa. Pelo contrário, há o interesse de aproveitar o maior número possível de experiências. “A nova geração busca mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional e, por isso, se dispõe a trabalhar mais intensamente em determinados momentos para aproveitar outros mais tranqüilos”, diz André Maxnuk, consultor de previdência da consultoria Mercer.

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walacy Publicitário, Profissional de Marketing especialista em Digital. Formações em Design Gráfico e em Artes Gráficas. Trabalha aliando design para web com o tripé do marketing digital (SEO, SEM e Inboud Marketing).

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