Empresas com ‘alma asiática’ preparam-se para Bovespa

Imagem do artigo Empresas com alma asiática preparam-se para a Bovespa, publicada no jornal O Globo em 04  de Junho de 2008.SÃO PAULO (Reuters) - Base tecnológica, envolvimento em cadeias internacionais de produção e planos agressivos de crescimento.

Este é o perfil das empresas brasileiras que se apresentaram nesta quarta-feira a investidores na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com pretensão de desembarcar no pregão nos próximos seis meses.

Juntas, a empresa paulista de tecnologia da informação BRQ, a gaúcha Teikon, da indústria eletrônica, e a Galena, do setor farmacêutico e de cosméticos instalada no interior de São Paulo, pretendem captar mais de 100 milhões de dólares para seus ambiciosos planos de expansão.

O destino deve ser o Bovespa Mais, segmento criado em 2006 para abrigar empresas de menor porte e que até agora tem apenas uma companhia listada, a Nutriplant, que produz fertilizantes.

Em comum entre as empresas que se apresentaram nesta quarta-feira estão planos de se tornarem grandes players do país em setores em fase de consolidação. A BRQ, que produz soluções customizadas de TI, fez seis aquisições nos últimos cinco anos, incluindo uma em Nova York, em 2007, e já tem planos para mais duas até dezembro.

“Somos de um mercado que, na Índia, é dominado por cinco grandes companhias. No Brasil, são cerca de 200″, diz o presidente da empresa, Benjamin Quadros.

Com isso, pretende dobrar já em 2008 o faturamento de 150 milhões de reais do ano passado, além de dobrar sua participação de mercado - hoje de 4 por cento.

É a mesma trilha que enxerga a Teikon, que fabrica componentes para a indústria eletrônica, e que tem como clientes algumas novatas na Bovespa, como a Positivo Informática e a Bematech.

“No mundo, 38 por cento da produção de eletrônicos usa o nosso modelo. No Brasil são apenas 6 por cento”, diz o presidente do conselho de administração da companhia, Ricardo Felizolla.

“Nosso objetivo é ter, até 2012, 10 por cento de um mercado que hoje movimenta 52 bilhões de reais”, complementa, assinalando que o faturamento da companhia vem crescendo neste anos a um ritmo 100 por cento superior aos 115 milhões de reais de 2007.

A Galena, que nasceu em 1987 fornecendo matéria-prima importada para a indústria farmacêutica e para farmácias de manipulação, no ano passado começou produção própria de suplementos alimentares e dermocosméticos. Com isso, pretende dar um salto de 50 por cento na receita de 92 milhões de reais de 2007.

“Nosso objetivo é ter 10 por cento de ambos os mercados nos próximos cinco anos”, disse o presidente da Galena, Ranan Katz.