20 de agosto de 2013 walacy

O foco é nos melhores

Para atender as causas da pobreza em seu país, no século 19, o economista inglês Alfred Marshall visitou várias fábricas.

CEO ExameExame CEO – 20/08/2013

Para atender as causas da pobreza em seu país, no século 19, o economista inglês Alfred Marshall visitou várias fábricas. Depois de analisar os processos fabris e a qualidade da mão de obra, ele refutou uma teoria em voga entre os economistas da época, segundo a qual a massa salarial nunca aumentava para alguém ganhar mais, outro deveria necessariamente ganhar menos ou perder o emprego. O autor de descobriu que havia um modo de todos obterem ganhos salariais reais: aumentando a produtividade no trabalho. Para isso, era preciso educar os trabalhadores ineficientes e sem qualificação. “Se a diminuição da mão de obra não qualificada resultar do aumento da qualificação dos trabalhadores, a produção crescerá e haverá mais capital a ser dividido”, escreveu Marshall.

Cerca de 150 anos se passaram. A qualificação dos trabalhadores deu um salto e as técnicas de produção fabril se tornaram muito mais eficientes. Centenas de tarefas que não existiam na época de Marshalll são hoje executadas de forma corriqueira por milhões de trabalhadores. Em um artigo escrito em 1999, o consultor austro-americano Peter Drucker, considerado o principal guru da moderna gestão de empresas, disse que a grande contribuição “na verdade, a única”, segundo ele dos administradores no século 20 foi aumentar a produtividade dos trabalhadores das fábricas em 50 vezes. Agora, o desafio é outro. “A maior contribuição que os administradores podem dar no século 21 é aumentar a produtividade dos trabalhadores do conhecimento”, afirmou Drucker.

Os trabalhadores do conhecimento, mencionados por Drucker, são aqueles que usam sua capacidade intelectual para identificar problemas e encontrar soluções. Fazem parte desse grupo profissionais como executivos, vendedores, consultores, advogados, médicos e pesquisadores. Alguns preferem chamá-los simplesmente de “trabalhadores qualificados” ou “profissionais de interação”, já que boa parte do trabalho deles consiste em interagir com outras pessoas, seja colegas, seja clientes, para formar uma opinião e tomar decisões complexas. É o tipo de trabalho que não se tornou dispensável pela adoção de novas tecnologias ou processos.

Pelo contrário. Nos países desenvolvidos, a demanda por esses profissionais tem crescido. Nos Estados Unidos, segundo a consultoria McKinsey, os “trabalhos de interação” representam 41% dos novos postos de trabalho. Na Alemanha, a proporção é de 37%. A consultoria projeta que, em 2020, a demanda por esses profissionais será maior do que a oferta, gerando um déficit de 40 milhões de trabalhadores qualificados no mundo. No Brasil, esses profissionais ocupam 25% das vagas, índice similar ao da índia e da China. É pouco, reflexo de uma economia ainda em desenvolvimento e do fato de que apenas 7% dos trabalhadores brasileiros têm nível superior ante 24% no Chile e 11% na Venezuela, para ficarmos só nos países vizinhos.

Diante da escassez do trabalhador do conhecimento, o desafio das empresas é tirar o máximo de cada um, ou seja, torná-lo mais produtivo. A tarefa não é fácil talvez mais difícil do que aumentar a produtividade dos trabalhadores do chão de fábrica. Desde que o engenheiro americano Frederick Taylor estudou, no fim do século 19, os métodos de produção fabril com o objetivo de torná-los mais eficientes, sabe-se que, para aumentar a produtividade dos trabalhadores na indústria, os desafios são analisar os processos, cortar o que é desnecessário e melhorar o que pode ser aperfeiçoado em síntese, fazer tudo da forma mais simples possível. Mas como aumentar a produtividade de um executivo, um advogado, um médico ou um engenheiro O que significa tornar um pesquisador mais produtivo É o que apresenta uma inovação por mês Ou é o que propõe uma inovação a cada dois anos, mas que ajuda a dobrar o faturamento da empresa. Para Drucker, há cinco fatores que determinam a produtividade do trabalhador do conhecimento: autonomia, incentivo à inovação, aprendizado constante, valorização da qualidade sobre a quantidade e, por fim, motivação. “Para aumentar a produtividade do trabalhador manual, a única coisa necessária é dizer a ele como fazer o trabalho”, escreveu Drucker. “Para aumentar a produtividade do trabalhador do conhecimento, são necessárias mudanças de atitude dele e da organização onde trabalha.”

Não há, contudo, uma fórmula pronta. Cada empresa precisa encontrar seu próprio caminho para medir e estimular a produtividade dos profissionais do conhecimento. Tome-se como exemplo a área de pesquisas do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Para aumentar a produtividade dos pesquisadores, o hospital criou, em 2009, uma equipe responsável por acompanhar e avaliar a execução de cada projeto. Tinha tudo para dar errado. Afinal, ia contra o que Drucker dizia sobre autonomia. Além disso, qual pesquisador gosta de parar o trabalho para escrever um relatório de prestação de contas Mas está dando certo. Segundo Cora Hors, gerente de planejamento e desenvolvimento de pesquisa do Instituto de Ensino e Pesquisa, ligado ao hospital, antes da implantação do sistema, 60% dos novos projetos não eram aprovados a tempo. Desde que os trabalhos passaram a ser monitorados de perto pela equipe, o índice caiu para 15%.

Outras empresas focam mais nas mudanças de atitude do profissional do que nos processos. A empresa paulista de tecnologia da informação BRQ, por exemplo, oferece coaching aos funcionários qualificados. “Se o empregado conhece suas fraquezas, pode se tornar um profissional melhor”, diz Benjamim Quadros, presidente da BRQ. “E um profissional melhor é mais produtivo.” Há, claro, o treinamento técnico para dar ao profissional ferramentas para executar melhor sua função. No fim, o objetivo é reduzir o tempo que o programador leva para criar e entregar um software ao cliente. “Um profissional bem treinado, com conhecimento do negócio, da tecnologia e do cliente consegue criar um produto em 10 horas”, diz Quadros. “Um profissional menos capacitado leva 50 horas.”

Para motivar os funcionários algo que Drucker considera crucial para aumentar a produtividade -, um ponto importante é a valorização financeira. “Uma pessoa que estudou e se dedica ao trabalho quer ser bem remunerada”, diz a advogada Maria Elisa Verri, integrante do comitê gestor do escritório de advocacia Tozzini Freire, de São Paulo. Para que o bom profissional receba um salário condizente com sua produtividade, o escritório criou um método de avaliação com base na meritocracia. São levadas em conta, por exemplo, a forma como o profissional se relaciona com os clientes e as soluções que encontra para cada situação. Há avaliações para cada nível advogado júnior, pleno e sênior. As promoções são definidas com base no desempenho do profissional nessas avaliações. “Com critérios claros de avaliação e um plano de carreira, você incentiva o advogado a ser mais produtivo”, afirma Maria Elisa.

Ao adotar políticas como essas, as empresas não aumentam necessariamente a produtividade individual do trabalhador. Mas criam um ambiente que favorece a produtividade geral da compainha. “A eficiência do trabalhador do conhecimento pode ser mais bem medida com base no resultado da equipe que ele comanda ou da qual faz parte e, em última análise, de sua empresa”, diz Christian Orglmeister, especialista em recursos humanos da consultoria BCG.

Para as empresas, um ponto fundamental é criar mecanismos para absorver o conhecimento dos trabalhadores e repassá-lo a outros funcionários. Como Por meio de uma ferramenta que os especialistas chamam de gestão do conhecimento. Algumas empresas criaram bancos de dados alimentados pelos próprios profissionais. São artigos ou estudos sobre determinado tema, que podem ser acessados por qualquer funcionário. A empresa de consultoria PwC usa essa ferramenta. “Há alguns anos, se eu tivesse uma reunião com um cliente de uma área que não domino, levaria dias até procurar referências para me atualizar e ir para a reunião preparado para apresentar as melhores soluções”, diz João Lins, líder da área de gestão de capital humano da PwC. “Hoje, com o conhecimento sistematizado na empresa, posso me preparar em um dia.” No fim das contas, todas as ferramentas para aumentar a produtividade têm um objetivo primordial: criar maior engajamento do profissional no trabalho. “Estar engajado é estar feliz com a posição que você ocupa na empresa a ponto de, todo dia, querer fazer algo melhor por ela”, diz Orglmeister, da BCG. E simples, mas parece que funciona.

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walacy Publicitário, Profissional de Marketing especialista em Digital. Formações em Design Gráfico e em Artes Gráficas. Trabalha aliando design para web com o tripé do marketing digital (SEO, SEM e Inboud Marketing).

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