
Imagem da matéria Nova Marcas, Velhos Planos, publicada em Information Week em 26-02-10
O mercado brasileiro de tecnologia da informação tem uma nova marca para identificar os esforços de exportação e facilitar a propaganda na hora de conquistar mercados pelo mundo afora. A iniciativa é um novo passo no plano de estabelecer o País como um dos principais vendedores de TI para o mundo, seja software ou serviços, e aprimorar a competitividade global das companhias nacionais. Em 2010, estima-se que as exportações brasileiras do setor cheguem a US$ 3,5 bilhões. Em 2006, elas representavam somente US$ 600 milhões.
A marca Brasil IT+ (lê-se IT, em inglês, plus), lançada em dezembro último, unifica a linguagem. A criação é da agência de branding Futurebrand e será usada tanto pelas empresas privadas como pelos órgãos do governo envolvidos em exportação de TI. As companhias e entidades oficiais já trabalhavam com uma estratégia de marca desde 2004, que trazia o nome do País com “z” e sem o símbolo matemático. No entanto, não havia uma padronização em seu uso e diversas iniciativas e materiais de propaganda do setor acabavam usando logotipos distintos para promover seus esforços comerciais no exterior. A nova caracterização visual pretende acabar com isto.
A marca foi criada de acordo com um briefing detalhado sobre o mercado brasileiro e os planos de exportação. Mas, a grande diferença em relação à antiga é o uso do símbolo de +. Ele representa a diversidade do setor, que é capaz de exportar um ERP para países latinos, abrigar centros de serviços de indústrias multinacionais, ser plataforma de terceirização para as globais e ainda conta com uma série de pequenas empresas que conquistam clientes no exterior com softwares de nicho e maior valor agregado. “Somos diferentes da Índia, que se estabeleceu como outsourcing, e precisávamos mostrar isto com maior clareza para o mercado internacional”; aponta Antonio Carlos Rego Gil, presidente-executivo da Brasscom (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação).
A novidade agradou os executivos envolvidos com exportação de TI. “É uma operação complexa, que envolve união de empresas e governo, além de muita estratégia. A marca mostra isso”, comenta o presidente da Stefanini IT Solutions, Marco Stefanini. A empresa é uma das maiores exportadoras brasileiras de TI, com atuação em 16 países e 125 clientes. Cerca de 20% de sua receita de R$ 670 milhões vem do exterior.
Para empresários, o selo Brasil IT+ vai facilitar a comunicação principalmente em eventos, nos quais há grupos de empresas distintas mostrando as soluções brasileiras. “A nova marca ajuda no trabalho de comunicação e marketing que ainda precisamos para vender o Brasil no exterior’; avalia o presidente da BRQ IT Services, Benjamin Quadros. A companhia começou a operar nos Estados Unidos em 2003. Em 2008, ela comprou a ThinkInternational, prestadora de serviços de TI para o mercado americano que havia faturado US$ 8 milhões no ano anterior. Com a negociação, vieram os funcionários e os clientes da empresa. “Mesmo assim, ainda precisamos sempre mostrar o que o Brasil tem de bom a oferecer”, comenta.
Antigos Desafios

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Mas, se a marca Brasil IT+ chega para modernizar o marketing dos exportadores de TI, as barreiras para que as empresas ganhem maior competitividade continuam a ser as mesmas de uma década atrás, quando as primeiras iniciativas foram lançadas. “Conseguimos avanços, mas a TI ainda não está na pauta do governo como deveria”, critica o presidente da Totvs, Laércio Cosentino. Apoio do governo federal, dólar valorizado, isenção fiscal, encargos trabalhistas e investimentos em formação de mão de obra qualificada são reivindicações antigas dos exportadores de TI. Essas dificuldades, principalmente o câmbio, têm se mostrado uma barreira para que o País consiga consolidar-se mundialmente.
A Matera Systems, que opera nos Estados Unidos junto com outras empresas reunidas na ActMinds Inc. viu a representatividade das exportações cair de 7% do faturamento para 4% nos últimos anos. “O dólar alto influenciou diretamente na competitividade da nossa oferta”, explica o presidente da Matera e da ActMinds, Carlos Augusto Leite Netto. Para fugir da pressão cambial, a provedora criou um centro em Maringá (PR) onde pode contar com mão de obra qualificada por um custo menor. Além disso, a Matera começou a trabalhar com oferta de produtos de maior valor agregado. Uma solução multitouch baseada em Microsoft Sharepoint e que transforma o computador numa espécie de imenso iPhone para facilitar a interface com sistemas corporativos tem sido o grande destaque da empresa em feiras internacionais. “Quando não se pode competir por preço, as empresas brasileiras precisam inovar”, diz Netto.
Esse tipo de capacidade empreendedora é o principal trunfo do Brasil no mercado externo de TI e que a marca Brasil IT+ pretende mostrar em 2010. Mas, além do marketing, a renovação da identidade é acompanhada de grandes planos capitaneados pelas entidades do setor. O mais abrangente deles está no envolvimento da iniciativa privada, governo, profissionais, universidades e mídia para divulgar a importância da tecnologia da informação para o País. De acordo com levantamento da Brasscom, o setor movimenta US$ 60 bilhões ao ano por aqui, o que coloca o Brasil como o oitavo maior mercado do mundo. Se o segmento de telecomunicações for agregado a essa conta, o volume transacionado sobe para US$ 140 bilhões.
A entidade estima que a TI represente 8% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços produzidos no País, e empregue ao menos 2 milhões de trabalhadores, com um salário 2,5 vezes maior do que os vencimentos médios verificados no Brasil. Todos estes números serão apresentados tanto em eventos nacionais como internacionais para mostrar o que há por trás da vontade brasileira de exportar soluções tecnológicas.
Em 2010, o número de atividades que as empresas brasileiras participam deve aumentar. Ainda não há uma estimativa sobre quais serão, mas o plano é fazer a tecnologia nacional aparecer não apenas em eventos especializados em TI. A intenção é ampliar o leque para feiras de varejo, saúde e demais verticais da economia.
A Brasscom irá realizar um evento internacional de outsourcing no Brasil, em junho, com objetivo de posicionar o mercado local no circuito internacional de feiras de TI e promover a integração maior entre executivos estrangeiros com o cenário nacional. “Uma coisa é conhecer o Brasil lá de fora, outra é vir aqui e ver que o País não é só samba e futebol”; declara o presidente da associação. A entidade também abrirá um escritório nos Estados Unidos, além do de Washington. Chicago e São Francisco são as cidades estudadas.
Condições

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Contudo, para alcançar os arrojados planos, o País precisa promover a formação e especialização dos profissionais. Dentro desta perspectiva, o programa de educação a distância para técnicos de TI será expandido. Os cursos podem ser acessados pelo site da Brasscom e fornecem formação em várias especialidades. A associação com as Fatec e o Sistema S (Sebrae, Senai, Sesc, etc) tem garantido bolsas para estudantes interessados em tecnologia. Para o próximo ano, a iniciativa deve ser ampliada. As entidades do setor também prometem continuar a pressionar o governo para a melhoria do ambiente de negócios. O câmbio ideal é algo tido como inatingível, mas a carga tributária, a burocracia e os encargos trabalhistas serão alvo de muitas reuniões com o governo. Deve-se continuar os avanços conseguidos com a isenção do ISS (Imposto Sobre Ser-viços) e a MP do Bem.
A Softex promete criar um site para que a exportação de TI tenha um apoio na internet para a geração de negócios e o PSI-SW (projeto setorial integrado para exportação de software) será ampliado. Em 2009, ele destinou cerca de R$ 8 milhões para 120 empresas ganharem competitividade no exterior. Este valor será maior em 2010, mas ainda está em definição. “Mas já podemos garantir que o número de empresas participantes subirá para 200″, adianta o diretor de mercado da Softex, Djalma Petit. A entidade planeja passar o ano produzindo white papers sobre a TI brasileira e co-locando estes documentos na mídia internacional. “O setor está unido e a imagem do País nunca foi tão boa, por isso, vamos fazer tudo para aproveitar o bom momento e ganhar espaço”, finaliza Petit.