9 de maio de 2013 walacy

Nenhuma pressa de pendurar a gravata

Valor Econômico – Nacional – NA – 09/05/2013

Empresas aproveitam a disposição de quem abandonou a aposentadoria. Por Jacilio Saraiva, para o Valor, de São Paulo

Dispor do próprio tempo e poder participar de campeonatos de golfe, realizar viagens ou apenas passear com os netos parece ser o futuro ideal para muitos profissionais, depois de uma longa carreira. Alguns executivos que já poderiam usufruir desses prazeres, entretanto, estão mais interessados em continuar com o expediente de trabalho do que em cruzar os braços. Eles fazem parte de um grupo que cresce nas companhias do país. São gestores que já atravessaram a linha da aposentadoria, mas continuam no batente. Por conta da experiência adquirida em segmentos de negócios específicos e pelas relações importantes que acumularam na vida corporativa, profissionais acima de GO anos hoje são requisitados e fazem o caminho de volta ao mercado.

“A preparação de um novo executivo é demorada e onerosa”, diz Evandro Oliveira, líder da área de aposentadoria da consultoria de recursos humanos Towers Watson. As maiores demandas por currículos mais longevos vêm de setores como infraestrutura, indústria e tecnologia da informação (TI), que não estipulam limites para o encerramento de carreiras ainda promissoras.

Depois de 44 anos de experiência na área de vendas, o executivo aposentado Carlos Augusto Sampaio Andrade, 67, decidiu não interromper a carreira. Há mais de dois anos trabalha na Orbium, empresa da área de TI, onde assumiu a direção comercial. Ele comanda uma equipe de seis pessoas, com idade média de 40 anos. “Enquanto permanecer motivado e a minha contribuição for útil para a empresa, não há razão para parar”, diz.

Sampaio começou a carreira na IBM, como vendedor. E o gerente de conta, de filial, de apoio a marketing e de unidade de negócios. Na Seer Technologies, companhia de software que também pertencia à gigante de tecnologia, ocupou a cadeira de country manager e gerente geral para a América Latina. Na Nextel, dirigiu o comercial e a área de “customer care”. Aposentou-se aos 58 anos. “Comandar grupos de mais de 400 funcionários em grandes corporações e passar por épocas de restrições e crescimento de negócios me deram uma vivência importante.”

Antes de aceitar o convite da Orbium, Sampaio trabalhava como consultor. No novo posto, não tem regalias por conta dos cabelos brancos. Precisa comandar todas as atividades relacionadas às entregas de software. Também não estipula um prazo para pendurar a gravata de vez. Quando sair do mercado, pretende dedicar-se a atividades assistenciais e à família. “Quero curtir o neto. Mas espero que não fique apenas em um só”, brinca.

Para Luís Roberto Demarco, presidente do grupo Nexxy Capital, dono da Orbium, a idade não é usada como parâmetro para entregar missões. “É falta de inteligência deixar de aproveitar a experiência de um profissional vencedor por conta desse limite.” Antes de contratar Sampaio, a empresa, que tem colaboradores a partir de 25 anos de idade, queria um novo perfil de executivo para a diretoria comercial. “Mesmo depois de uma longa carreira em uma multinacional, percebi que ele nâo havia ‘aposentado’ o espírito empreendedor.”

Segundo Demarco, a contratação já trouxe contribuições para as equipes. “A experiência elimina a repetição de estratégias que sabemos que não serão bem-sucedidas.

Para Oliveira, da Towers Watson, a “segunda carreira” encampada pelos executivos acontece porque eles querem trabalhar por mais tempo, em função de uma maior expectativa de vida, e por desejarem manter o mesmo padrão econômico depois de jogar o crachá na gaveta. “Há setores, como tecnologia, engenharia e petróleo e gás, com carência de currículos mais experientes.”

Segundo o especialista, para as empresas, investir em um profissional aposentado pode gerar um bom retorno. “Ele tem habilidades específicas e boas relações.” Da parte do funcionário, o prolongamento do tempo no escritório também é precioso. “Haverá um período maior para aumentar as reservas e a maioria está em pleno vigor físico e mental.”

Na BRQ, da área de TI, também não existe uma data máxima para selar o fim da carreira. “Há falta de mão de obra qualificada. Se o profissional quer continuar, não temos um prazo limite”, diz José Roberto Haddad, diretor de RH.

A companhia, com mais de quatro mil funcionários, tem 15 profissionais com G5 anos de idade ou mais dois deles com mais de 70 e cinco em posições de gerência ou superior. “Eles conhecem tecnologias mais antigas e têm uma visão estratégica de longo prazo. Além disso, sabem rapidamente o que é essencial na hora de planejar uma ação ou resolver um conflito.”

Segundo Elso Bazzola, da consultoria Bazz, as diretorias perceberam que os talentos maduros garantem estabilidade ao ambiente de trabalho. “Há uma fusão entre a energia dos jovens e a cultura mais ampla dos aposentados”, diz. “Organizações que realizam tarefas com características técnicas e burocráticas tendem a manter e contratar pessoal mais experiente, por conta da facilidade em solucionar problemas.”

Na Bazz, cerca de 20% das vagas trabalhadas em 2012 foram requisitadas somente entre currículos mais antigos. Este ano, no primeiro trimestre, houve aumento de cerca de 3% na demanda dessa faixa ante o mesmo período de 2012. As funções mais procuradas para os jubilados são de gerentes financeiros, diretores administrativos e comerciais. Entre as solicitações, há firmas de engenharia e de comércio exterior.

Caio Tucunduva, diretor da Eesa, de recrutamento de altos executivos, observa também uma maior procura no setor de infraestrutura. “O aquecimento do mercado trouxe à tona o apagão de talentos, o que intensificou a busca por aposentados de 55 a 70 anos”, diz. Nessa área, as organizações precisam de candidatos sêniores que possam conduzir empreendimentos de mineração, hidrelétricas, obras para a Copa do Mundo e Olimpíada. “Há também oferta na área industrial química, petroquímica, bens de capital, papel e celulose.”

Os profissionais afastados por tempo de serviço, segundo ele, são requisitados por apresentar competências de gestão mais sólidas, capacidade de desenvolver sucessores e foco em resultados. “Não se preocupam mais com um plano de carreira, mas querem se manter na ativa para não abandonar o mercado.”

Com 72 anos, Luiz Celso Ferreira Lemos, diretor-superintendente da Mongeral Aegon fundos de Pensão, preferiu capitalizar o conhecimento na área de previdência a sair de férias permanentes. Aposentado desde os 55 está na empresa há dez anos. Antes, ocupou cargos estratégicos no Grupo Icatu, no Cifrão, fundação ligada à Casa da Moeda, e na Aracruz Celulose, onde trabalhou por mais de uma década. “Ainda não tive tempo de pensar em parar.”

Lemos ainda presta consultoria em previdência complementar fechada, participa de órgãos representativos do setor e reserva parte da agenda para colaborar com ações da diretoria comercial da seguradora. “O trabalho é um ótimo lazer”, afirma.

Na Crowe Horwath Brasil, empresa de auditoria com 110 funcionários, o gerente administrativo e financeiro Vicente Paulo Prisco Filho, G2, aposentado em 199G, foi admitido há dois anos. “Tinha apenas 4G quando me aposentei, ainda com planos de crescimento”, diz. Começou como consultor e, logo depois, surgiu uma oportunidade de contratação.

Um dos chamarizes no currículo de Prisco é a diversidade. Trabalhou com hotelaria, construção, indústria e agronegócio. Para assumir a nova etapa de trabalho, avaliou salário e benefícios. “Mas o principal fator foi o reconhecimento do valor da minha experiência”, afirma.

Segundo Almir Peloi, responsável pelo departamento de RH da Crowe Horwath Brasil, as possíveis barreiras cronológicas estão sendo substituídas por critérios como desempenho e retorno de metas. Mas deve-se estar preparado para os novos tempos. “É preciso ser aberto ao trabalho com pessoas maisjovens, algumas vezes hierarquicamente superiores.”

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