MPS.BR: da qualidade ao anonimato

Imagem da matéria MPS.BR: da qualidade ao anonimato, publicada em Informática Hoje em 08-05-09

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Os técnicos da IMA esqueciam o que tinham combinado com o cliente. Quando um cliente pedia uma mudança no sistema, eles nem sabiam por onde começar. Às vezes, o cliente reclamava de versões defeituosas de um aplicativo: na IMA, em Campinas, um técnico tinha escrito a atualização do sistema, mas outro, sem saber, tinha escrito outra atualização por cima.

A IMA é uma empresa de informática de economia mista, cujo principal acionista é a prefeitura de Campinas. Em ano de eleições, o prefeito quer terminar vários projetos antes de deixar o cargo. Isso aconteceu em 2004, a demanda aumentou, e a situação da IMA piorou. De 100 projetos, 50 atrasaram, extrapolaram os custos ou saíram com defeito. Márcio Fernando Correia Ricardo, gerente da área de engenharia e arquitetura de software, decidiu: a IMA precisava trabalhar de uma nova forma.

O pessoal da IMA estava acostumado a trabalhar com métodos. Só que eles tinham sido escritos no início dos anos 90, na época dos grandes servidores, mas os grandes servidores foram embora e vieram os pequenos servidores; a metodologia ficou inútil. “Os técnicos tinham muito retrabalho.”

Namoro possível

Márcio passou a ler sobro métodos para melhorar processos. Começou um namoro corn o CMMI. Mas o custo da preparação e da avaliação do CMMI era alto para a IMA.

Um outro integrador, a DBA, iá usava o CMMI nível 3. Quando chegou a hora de tirar o certificado, José Ricardo Vilanova, coordenador de processos e qualidade, precisou decidir se a DBA permaneceria no nível 3 ou se tentaria o nível 5. A DBA só atende clientes no Brasil, e muitos deles são do governo. Por meio de um conhecido da Universidade Federal do Rio de Janeiro, José Ricardo ficou sabendo de um método brasileiro semelhante ao CMMI e que poderia ser exigido nas licitações do governo. O MPS.BR era mais barato que o CMMI e atendia às necessidades da empresa.

O MSP foi criado a pedido da Softex, um órgão do governo que apoia a exportação de software. A Softex precisava melhorar a qualidade do software, mas a maioria das empresas brasileiras não tem dinheiro nem gente disponível para se certificar no CMMI. Então, em dezembro de 2003, um grupo de estudiosos apresentou o MPS.BR, dividido em sete níveis de maturidade, do G (o mais baixo) ao A (o mais alto). A Softex conseguiu dinheiro do BID e de outros órgãos para financiar os cursos e os certificados dos níveis G e F (este ano começa a financiar também os níveis E, D e C). Com isso, a Softex subsidia 40% dos cursos e das avaliações, desde que os clientes tomem aulas em grupos de várias empresas.

Márcio, da IMA, conheceu o MPS: o método foi escrito com base nas ISO 12.207 e 15.504, as mesmas do CMMI. Ele e três colegas da IMA se matricularam num dos cursos subsidiados pela Softex, junto com 16 pessoas de outras quatro empresas.

Depois, enquanto os quatro funcionários da IMA participavam do curso, escreviam os novos processos de desenvolvimento de software. Eles incluíram a área comercial “por onde os projetos entram” —, além de levantamento de requisitos, medição de qualidade, testes. Montaram um portal para mostrar os gráficos, o passo a passo dos processos e os modelos de documentos. Não aproveitaram nada dos processos antigos, e trabalharam por 18 meses.

Na DBA, José Ricardo também preferiu o MPS ao CMMI, mas decidiu partir direto para o nível A (Até hoje, a DBA só tem certificado do MPS.). Na IMA, Márcio resolveu tentar o certificado nível F. A avaliação ficou marcada para dezembro de 2007.

Segundo Maria Carolina Mello Passos, gerente de qualidade da CPM Braxis, o MPS.BR propõe uma avaliação tão rigorosa quanto a do CMMI, mas sem os “procedimentos gordurosos”. Os auditores conhecem a realidade das empresas brasileiras, então eles vão ao ponto certo. O modelo do MPS, por exemplo, sugere uma técnica para controlar as versões dos sistemas, mas a CPM usava outra. O auditor quis ver in loco como funcionava. “Eles saíram da sala e foram lá ver.” Carolina nunca viu um auditor sair da sala; para ela, os auditores do MPS.BR percebem mais coisas dentro da empresa.

Num outro integrador, a BRQ, os auditores foram a fundo em questões bem técnicas, diz Adriana Bastos, gerente da área de qualidade. Eles exigiram documentos com os quais a BRQ comprovasse em que sequência produz código. Outra diferença da auditoria do MPS, dizem Adriana e Carolina, é o número de auditores externos versus internos. Quando a CPM Braxis se certificou no CMMI nível 5, cinco funcionários ajudaram três auditores externos. Quando se certificou no MPS.BR nível A, três funcionários ajudaram sete auditores externos. A auditoria do CMMI durou dez dias; a do MPS, cinco.

Na IMA, a auditoria durou dois dias. Márcio e os técnicos conquistaram o MPS.BR nível F. O certificado vale até dezembro de 2010, mas eles já se preparam para o nível D, na versão 1.2 do MPS. Os processos na área de desenvolvimento melhoraram tanto, diz Márcio, que outras áreas da empresa precisaram melhorar: o pessoal do comercial foi atrás de uma ISO e os técnicos de infraestrutura se certificaram em ITIL.

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