As duas empresas tiveram alavancagem com a entrada do BNDES na estrutura acionária, geralmente como debenturista, tomando fôlego para estudar o mercado de capitais.
O banco de desenvolvimento também detém 10,79% da Nutriplant, a única empresa listada na Bovespa Mais. Na gaúcha Teikon, foram três aportes a partir de 2000, chegando à participação atual de 26,7% do capital. Os recursos do banco, aliados ao aporte do fundo de venture capital CRP Caderi (que tem o BNDES e Petros entre os cotistas, somando 20,5% do capital), e à expansão dos negócios das sócias fundadoras Altus e Elo, dão à companhia um crescimento médio de 50% ao ano.
“No ano passado, o faturamento bruto foi de R$ 115 milhões e no primeiro quadrimestre de 2008 já registramos o dobro da receita em relação ao mesmo perÃodo de 2007″, conta Ricardo Felizzola, que acumula as funções de presidente do Conselho de Administração da Teikon, presidente do conselho da Altus e vice-presidente da Fierg.
Trata-se de uma indústria de produtos eletrônicos para marcas de terceiros, incluindo produção de placa mãe para notebooks, TV de plasma, celulares e outros aparatos eletrônicos para clientes como Positivo, Bematech, Ericsson e ThyssenKrupp. “Cerca de 38% do mercado da produção eletrônica mundial é terceirizado pelas grandes marcas, mas no Brasil essa taxa cai para 6%”, destaca Felizzola. “A tendência é que as empresas repassem essa produção a players como a Teikon, para não terem que investir um grande volume de recursos em tecnologia e máquinas.”
No ano passado, realizou seu maior investimento histórico, de R$ 40 milhões, para montagem de unidade industrial em Manaus, somando-se à s de Porto Alegre e Curitiba, e planeja uma quarta em JundiaÃ, interior de São Paulo.
A companhia é uma das mais avançadas no processo que antecede a abertura de capital. Mantém um conselho administrativo ativo há mais de cinco anos, bem como práticas de governança corporativa, já como sociedade anônima. Por isso a expectativa é estar listada na Bovespa Mais até o final deste ano. “A previsão é lançar no mercado o mÃnimo obrigatório, de 25% do capital, com captação a partir de R$ 20 milhões”, afirma.
Na BRQ, que também atua com tecnologia e informática, o aporte do banco de desenvolvimento veio em outubro passado, no montante de R$ 50 milhões do BNDESPar e R$ 6 milhões na forma de financiamento. A empresa vai definir, até o segundo semestre de 2009, entre a listagem na Bovespa Mais e o aporte de um sócio investidor. Por enquanto, está apresentando-se ao mercado. “Buscamos a melhor forma de alavangem”, diz Benjamim Quadros, presidente da BRQ.
Em maio, a companhia de software efetuou duas aquisições, que devem alterar seu patamar de faturamento, de R$ 200 milhões estimados organicamente para este ano, para R$ 300 milhões. A primeira compra, da nova-iorquina ThinkInternational, visa ampliar a participação da BRQ no exterior, responsável atualmente por 15% das vendas totais. A outra transação foi a aquisição da carteira de clientes da Prodacon.
A possibilidade de ter um sócio estratégico - como um fundo de
- chegou a ser cogitada também pela Galena, uma das principais distribuidoras brasileiras de matérias-primas para o setor farmacêutico. “Depois, porém, nos aproximamos da Bovespa e de executivos de alguns bancos, que nos apresentaram melhor o segmento e mostraram a viabilidade de acessar o mercado”, diz Ranan Katz, vice-presidente de comércio exterior da Galena, que também fez apresentação na bolsa ontem.
A expectativa é chegar à Bovespa ainda este ano. Com sede em Campinas, interior de São Paulo, a empresa atua principalmente no fornecimento de produtos dermatológicos e tem faturamento superio a R$ 90 milhões. A idéia é captar entre US$ 20 e US$ 30 milhões na estréia no mercado de capitais.
A oferta da empresa deve ser unicamente primária, o que significa que só serão emitidas novas ações e que os recursos captados serão destinados à expansão. “Temos interese na aquisição de duas empresas nacionais de menor porte”, diz Katz. “A outra parte do dinheiro seria direcionada à s áreas de pesquisa e desenvolvimento, além da aquisição de planta industrial.”
Apesar do conceito democrático, a Bovespa Mais ainda enfrenta uma certa resistência do mercado, por isso tem apenas uma empresa negociada. “O problema da Bovespa Mais é o desconto no valuation da empresa. Como nosso objetivo é a captação, temos que avaliar todas as opções”, considera Quadros, da BRQ.
Para o executivo da Teikon, a resistência vem dos investidores, e não de empresas. “A liquidez é baixa porque só há uma empresa, mas não porque dá errado. O mercado de capitais é novo para o Brasil, mas a tendência é de crescimento e aceitação, como vemos no Novo Mercado”, diz Felizzola.