29 de outubro de 2013 walacy

Grupos de TI avaliam abertura de capital a partir de 2014

Valor Econômico Online – 29/10/2013

A Quality Software, companhia de terceirização de projetos de infraestrutura de tecnologia da informação (TI), está a poucos passos de fazer sua oferta pública inicial de ações. A companhia já fez o pedido de registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e listagem de ações no Bovespa Mais, o mercado de acesso da bolsa paulista. “No momento, a empresa está respondendo a ofícios da CVM, que é a etapa final para a aprovação do pedido de listagem”, diz Julio Britto Junior, executivo-chefe da Quality.

O passo seguinte será definir o banco que administrará a oferta. “O mercado não está tão positivo, mas a empresa está preparada para abrir o capital no momento mais adequado nos próximos 36 meses”, diz Britto.

A Quality Software não está sozinha nessa jornada. Outras companhias de TI, como BRQ IT Services, Altus, BSI Tecnologia e Cast Informática, preparam-se para captar recursos no mercado de capitais nos próximos anos, seguindo o caminho da Totvs, Positivo Informática, Senior Solution e Linx, todas com ações em bolsa.

“No mundo, os processos de abertura de capital de empresas de TI se aceleraram no segundo trimestre, mas no Brasil esse movimento vai ficar mais significativo a partir de 2014 ou 2015”, afirma Sergio Alexandre Simões, sócio líder em consultoria de TI da PricewaterhouseCoopers (PwC).

Alguns fatores contribuem para esse cenário mas distante, como a presença de poucas empresas de TI na bolsa brasileira, o que dificulta a avaliação do desempenho no setor por investidores e analistas. O crescimento da economia abaixo do esperado neste ano também fez empresas de tecnologia adiarem os planos de abrir o capital.

“Neste ano a economia está mais fraca e 2014 não parece um ano muito bom”, diz Benjamin Quadros, executivo-chefe da BRQ, empresa de serviços de tecnologia da informação. O executivo considera que a realização da Copa do Mundo no país pode contribuir para uma redução da produtividade e o processo eleitoral pode gerar incertezas para investidores. “Provavelmente 2015 e 2016 serão anos melhores, já com um novo governo”, diz Quadros.

A BRQ fechou 2012 com um crescimento de 26% na receita, para R$ 400,6 milhões, e projeta para este ano um crescimento superior a 20%, acompanhando a tendência do setor. Mas, embora as empresas de TI cresçam mais que a economia, há poucos indicadores para quem compra a ação, o que dificulta a avaliação dos investidores, diz Quadros. “Quem compra ação da Totvs, da Linx, compra o risco Brasil, não compra uma empresa de TI”, afirma. A BRQ previa fazer a listagem no Bovespa Mais neste ano, mas decidiu adiar os planos para 2014 e abrir o capital posteriormente, em até três anos.

Simões, da PwC, diz que não há pressa para as empresas brasileiras de TI abrirem o capital. O mercado ainda oferece oportunidades para captação de recursos por meio de fusões ou aportes, diz o analista. “A expectativa é que os bancos exerçam uma influência importante no avanço dos processos de abertura de capital nos próximos anos, principalmente o BNDES.”

A BNDESPar, empresa de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi um articulador importante nas ofertas iniciais da Totvs, Bematech, Linx e Senior Solution. Atualmente, tem participação em 30 empresas de TI, incluindo BRQ e Quality Software. “Abrir o capital não é a única porta de saída para o BNDESPar quando investe em uma empresa, mas é a porta mais adequada, porque assegura o crescimento da companhia e a sua perpetuidade”, afirma Luiz Souto, superintendente da área de capital empreendedor da BNDESPar.

Souto disse considerar o Bovespa Mais uma opção favorável às empresas de TI, tendo em vista que, em média, essas empresas têm porte menor que as de outros setores. O superintendente diz também que há no país investidores interessados em investimentos de longo prazo e que têm menos preocupação com a liquidez das ações.

Bernardo Gomes, diretor-presidente da Senior Solution, fez a listagem no Bovespa Mais neste ano. “As condições do mercado estavam favoráveis e foi uma oferta para investidores locais, o que de certa forma burlou o cenário internacional difícil”, afirma Gomes. O executivo diz que a exigência de menos capital e o baixo nível de endividamento tornam as companhias de TI mais atraentes aos olhos dos investidores de longo prazo. “O setor de TI também cresce mais que a economia, o que pode dar ao investidor um retorno mais significativo”, diz Gomes.

Dennis Herszkowicz, vice-presidente de finanças, administração e relações com investidores da Linx, diz que a entrada de mais empresas de TI na bolsa nos próximos anos será favorável para o setor: “Quanto mais empresas abrirem o capital, melhor, mas é bom que estejam preparadas. O mercado está bem seletivo; só histórias boas passam no crivo dos investidores.”

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walacy Publicitário, Profissional de Marketing especialista em Digital. Formações em Design Gráfico e em Artes Gráficas. Trabalha aliando design para web com o tripé do marketing digital (SEO, SEM e Inboud Marketing).

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