23 de setembro de 2010 walacy

É hora de escolher

O Povo Fortaleza – Você S/A RH – 23/09/2010

Desde que a economia deu sinais de recuperação, há uma intensa movimentação de profissionais no mercado que já supera o boom que vigorava antes da crise. Atraídos por melhores oportunidades, 30,5% dos brasileiros pediram demissão entre janeiro e maio deste ano, segundo dados do Ministério do Trabalho.

Trata-se um número superior ao de 2008, quando esse índice foi de 26%. Nesse cenário extremamente aquecido, algumas empresas passaram a enxergar o RH como peça-chave, sobretudo na difícil missão de atrair e reter talentos. “As organizações procuram, cada vez mais, gente com visão estratégica em todos os níveis do RH, seja para principal executivo, seja para analista”, afirma Marcelo De Lucca, diretor da Michael Page, consultoria especializada no recrutamento de executivos.

Cobiçados como nunca, muitos profissionais de RH também estão aproveitando o bom momento para alçar novos vôos. Alguns, inclusive, saem mesmo sem obter um ganho em remuneração. “Salário não é o principal atrativo na hora em que as pessoas optam por trocar de emprego”, diz De Lucca.

Há outro motivo tão ou mais importante do que o aspecto financeiro: a busca por desafios. Esse foi o caso de Daniela Amorim, gerente administrativa e de gestão de pessoas da Unimed do Brasil, empresa responsável por levar diretrizes às 375 unidades do grupo no país. Há oito meses, Daniela abandonou uma carreira de 13 anos em hospitais públicos para reorganizar a área de RH da operadora de planos de saúde. “Não vim por salário. O que me motivou foi a chance de começar tudo do zero”, afirma. O cenário na nova empresa era crítico. Logo que chegou, encontrou um RH sob o modelo de departamento pessoal. Os quatro profissionais que ali estavam cuidavam apenas da parte burocrática. Não existia uma gerência de RH, que foi criada somente dois meses após o ingresso de Daniela. Agora existe um comitê nacional de RH para que os gestores de todas as Unimeds possam trocar experiências sobre os pilares de recursos humanos. Aos poucos, Daniela vem transformando o RH em uma área importante dentro da empresa. Para isso, reforçou sua equipe, com a contratação de mais cinco pessoas, que cuidam de questões estratégicas.

Outro profissional que decidiu trocar de emprego sem obter uma vantagem financeira é o executivo Maurício Ignacio, diretor de RH da Coca-Cola Guararapes. Descontente onde estava, Ignacio resolveu, seis meses atrás, partir em busca de projetos mais ambiciosos, de escopo global. “A empresa anterior era familiar e tinha um sistema de governança frágil”, afirma. “Quando deparei com a proposta da Coca-Cola, não pensei duas vezes.” Segundo Ignacio, o aspecto preponderante em sua decisão foi o fato de a Coca-Cola valorizar o RH. Tanto que ele se reporta diretamente ao presidente e participa de decisões importantes na companhia. Além da Coca-Cola, Ignacio recebeu outras ofertas de emprego. “Eu disse não às demais propostas exatamente porque eram empresas que buscavam líderes para comandar estruturas que mais pareciam com os antigos departamentos pessoais”, conta o executivo.

Se, de um lado, a valorização do profissional de RH se reflete em novas oportunidades, de outro, cria um quebra-cabeça para as companhias. Achar o perfil desejado tem sido uma guerra sem fim. “Não há tanta gente boa assim disponível”, diz Glaucy Bocci, gerente das práticas de liderança da consultoria Hay Group. A procura hoje é maior por quem entende do negócio, que tenha passado por outras áreas como marketing, vendas e finanças e conheça o mercado. “Não existe mais a preferência por psicólogos com formação em recursos humanos. O profissional precisa ter uma visão ampla do que é uma empresa”, diz Glaucy.

Por ter esse olhar voltado ao negócio, Maria de Fátima Albuquerque assumiu a diretoria de RH na Totvs, empresa que desenvolve softwares de gestão. Há um ano e meio ela vem promovendo uma série de mudanças na área. O objetivo é ter atuação mais estratégica e uma política de remuneração forte. Para isso, reforçou a equipe. Foram contratadas dez pessoas do início do ano para cá, chegando a 40 profissionais. Com o mercado aquecido, a rotatividade tem aumentado de forma significativa, provocando uma falta de gente qualificada para ocupar as vagas em aberto. Resultado: a disputa por profissionais é tanta que boa parte das empresas tem “roubado” talentos dos concorrentes, inflacionando salários. Um levantamento feito pela Michael Page mostra que o cargo de gerente de RH está entre os mais demandados, com remuneração média mensal de 16 500 reais. É um patamar que supera a de profissionais com salários tradicionalmente maiores.

Por exemplo, um gerente de tecnologia da informação ganha hoje em torno de 11 000 reais. “A valorização do profissional de RH é tanta que os salários também ficaram mais próximos aos de executivos que exercem funções estratégicas nas empresas, como as de marketing ou de finanças”, afirma De Lucca, da Michael Page. A estimativa é que houve um crescimento de 20% a 25% em relação à remuneração média praticada no passado. “Mas vale ressaltar que, embora a remuneração seja maior, os profissionais não buscam salários mais altos. A troca de emprego tem sido motivada pela busca de novos desafios”, diz De Lucca. Quando Carolina Frias topou o convite para ser gerente de RH da BRQ, fornecedora de serviços em TI, sua meta não era ganhar mais, apesar de ter tido um aumento em relação ao salário anterior. Carolina queria dar um novo passo na carreira. Acostumada a exercer função generalista, deixou a posição em um banco de investimentos para trás em busca de algo diferente. Ela conta que foi seduzida pela proposta de atuar em recrutamento e seleção. Desafio interessante do seu ponto de vista, já que tem pela frente a tarefa de estruturar uma área bastante complexa em meio ao cenário aquecido. “Aqui, tentamos unir negócios ao fator humano, que não pode ser deixado de lado”, diz Carolina.

O troca-troca de emprego não se restringe aos cargos executivos. De acordo com Marcelo Paolucci, gerente da divisão de RH da empresa de recrutamento Hays, os analistas que têm esse novo perfil exigido do profissional de recursos humanos também estão em alta. “As companhias precisam de analistas com visão estratégica, que criem programas para reter o profissional que quer sair, melhores políticas de remuneração e de benefício”, diz Paolucci. Ao contrário do que se via no passado, o consultor afirma que, apesar dessa corrida por especialistas, o perfil não é de alguém técnico. O aspecto comportamental é fundamental. Ou seja, é necessário conhecer a cultura da empresa e fazer com que os talentos estejam em linha com a organização.

Na Sankhya, empresa de Uberlândia, em Minas Gerais, que fornece softwares de gestão, a busca por profissionais alinhados ao negócio se tornou questão prioritária. Para isso, reestruturou a área de RH, responsável por contratar pessoas que se encaixem em sua cultura. Não só trocou a coordenação da área, como está expandindo a equipe. Em 2010, a meta da Sankhya é alcançar um faturamento de 30 milhões de reais e dobrar o número de funcionários, que hoje é de 400 pessoas. “Estamos discutindo ações para melhorar o recrutamento, reavaliando os planos de carreira que tínhamos e a comunicação interna para suportar esse crescimento acelerado”, diz Maria Julia Carvalho Abreu, coordenadora do departamento de desenvolvimento humano da Sankhya.

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walacy Publicitário, Profissional de Marketing especialista em Digital. Formações em Design Gráfico e em Artes Gráficas. Trabalha aliando design para web com o tripé do marketing digital (SEO, SEM e Inboud Marketing).

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