Três médias empresas anunciaram, ontem, a intenção de abrirem seu capital entre o fim de 2008 e o inÃcio de 2009. A possibilidade, inimaginável para essas companhias - que possuem faturamento anual de até R$ 200 milhões - há cerca de um ano, foi estudada durante o II Encontro Bovespa Mais.
O segmento Bovespa Mais, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), foi criado para tornar o mercado acionário acessÃvel a mais empresas, que queiram operar com volumes inferiores aos do mercado convencional.
“O mercado é que irá determinar o montante, mas precisamos de algo entre US$ 25 milhões e US$ 30 milhões para investimentos”, explicou Ranam Katz, presidente da Galena. A companhia, que atua como fornecedora de matérias-primas farmacêuticas há 20 anos e possui clientes como a Medley, deu inÃcio há cerca de um mês ao lançamento de seus próprios produtos. “Já direcionamos entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões”, continuou. Katz disse que a idéia de um IPO (sigla em inglês para oferta primária de ações) foi pensada no fim do ano passado: a diretoria da empresa procurou diversos bancos para conseguir financiamento capaz de garantir seus novos projetos. A sugestão de um lançamento de ações foi feita por uma instituição financeira de grande porte. Contudo, diante do agravamento da crise d o subprime, a Galena foi surpreendida com dificuldades no processo. “Precisamos crescer, mas não conseguimos sem dinheiro”, justificou o executivo. A empresa faturou R$ 92 milhões no ano passado, com meta de atingir R$ 136 milhões em 2008, pretendendo atingir, em cinco anos, 10% do mercado de dermocosméticos, hoje avaliado em R$ 1,7 bilhão; e outros 10% do mercado de complementos alimentares, que hoje é contabilizado em R$ 650 milhões.
O presidente do Conselho de Administração da Teikon, Ricardo Felizzola, aproveitou a oportunidade para avaliar um desejo que o acompanha há cerca de três anos. “Como pensamos nisso há muito tempo, não tomaremos café quente. Pretendemos entrar no mercado neste ano, mas só se houver uma resposta favorável”, garantiu. A companhia industrializa produtos eletrônicos sob encomenda. Criada em 1996, a sociedade anônima veio para ocupar um nicho de mercado no qual não atua nenhuma outra brasileira: uma espécie de terceirização de mão-de-obra e suporte tecnológico para produção. “Terceirização é um termo brasileiro. Nosso trabalho é algo mais sofisticado”, continuou Felizolla. A companhia, que possui plantas industriais em Porto Alegre, Curitiba e em Manaus e escritórios na China, fornece produtos especÃficos, como é o caso de placas-mãe para computadores da Positivo Informática e até mesmo equipamentos operacionais para o segmento industrial. “Temos mais de mil funcionários e faturamos R$ 115 milhões ano passado”, adicionou, explicando que, da produção eletrônica do PaÃs, apenas 6% são feitos por companhias especializadas em comercializar produtos manufaturados. “No mundo, essa fatia é de 38%. Temos muito espaço para crescer”, disse. No ano passado, a Teikon investiu R$ 40 milhões, o maior volume de sua história. A expectativa é que, neste ano, sejam aplicados ao menos R$ 30 milhões. “Queremos ter, em 2012, 10% do mercado brasileiro, que hoje soma R$ 52 bilhões”.
BRQ, a última das três empresas que participaram do evento, ainda não sabe como fará para capitalizar seus recursos. Fundada em 1993 com o objetivo de fornecer software personalizado - e hoje tendo em sua lista clientes como HSBC, Credit Suisse, Unibanco, Pão de Açúcar e alguns setores do governo -, tem como objetivo principal comprar três empresas concorrentes neste ano, que devem somar faturamento de R$ 100 milhões. Depois disso, virá a estratégia de lançamento de ações ou, até mesmo, o aporte de recursos via private equity. “Temos 4% de market share, ocupando o nono lugar no ranking. O mercado é muito pulverizado, então passa por um processo de consolidação”, explicou o presidente da companhia, Benjamin Quadros. A empresa faturou R$ 150 milhões em 2007, e apresenta taxa média de crescimento anual na ordem de 40% desde sua fundação. Com a possibilidade de atingir ganhos na ordem de R$ 300 milhões em 2008, é possÃvel que a BRQ nem chegue a lançar suas ações no Bovespa Mais, optando diretamente para o chamado Novo Mercado. “Já temos auditoria em nossa empresa. Essa é uma possibilidade.”
A Nutriplant é a única companhia listada no Bovespa Mais. A primeira edição do Encontro Bovespa Mais ocorreu em 16 de abril, quando 42 participações procuraram mais informações sobre o tema.