Empresas médias devem voltar à Bolsa no fim do ano

Imagem do jornal DCI (Diário do Comércio, Indústria e Serviços de São Paulo) com a notícia Empresas médias devem voltar à Bolsa no fim do ano, publicada em 13 de Junho de 2008Com os problemas na economia norte-americana e a alta da inflação e dos juros no Brasil, empresasadiam suas aberturas de capital (IPO, da sigla em inglês). Especialistas apontam que a retomada das ofertas primárias de ações será verificada a partir do segundo semestre — situação que demorará um pouco para chegar entre as médias empresas. Na avaliação do presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Alfredo Setiíbal, os investidores principalmente os internacionais, que respondem por cerca de 80% das compras dos papéis de ofertas primárias ainda estão cautelosos por conta do efeito subprime. “O mercado continuará seletivo e os investidores apostando em companhias maiores”, afirmou.

Mesmo com essa retomada, o consenso é que os lançamentos ocorrerão nas proporções de 2006, quando US$ 8 bilhões foram ofertados. O número não chegará nem perto do registrado em 2007, quando 60 companhias abriram seu capital, movimentando ce rca de R$ 60 b ilhõe s.

No momento, existem quatro ofertas em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Locavveb e Banco Bonsucesso deram entrada no final do ano passado, e ainda não fizeram seus lançamentos. A Summer Brasil Turismo está com seu IPO em análise desde janeiro. Já a Tivit, do setor de tecnologia, enviou sua proposta em maio. Além disso, mais cinco ofertas de Certificados de Depósito de Ações, conhecidas como Uniu, também estão paradas na CV M. Dessas, Alupar e Vir Capital deram entrada no fim do ano passado, e a Solvay está com a oferta em análise desde março. Renova Energia e Infinity Bioenergy registraram seus prospectos preliminares em maio e junho, respectivamente. Um exemplo prático de que o momento não é tão favorável é a Le Lis Blanc, cujo encerramento do IPO ocorreu semana passada. Ao todo, foram ofertadas 22,25 milhões de ações ordinárias, com 86% das compras sendo efetua-das por estrangeiros. Em termos de volume, o IPO rendeu R$ 150 milhões, comas ONs cotadas aR$ 6,75. A cautela dos investidores estrangeiros fez com que houvesse uma revisão dos preços de emissão, antes estimado entre R$ 10,50 aR$12,50 por papel, paraR$ 7,50 a R$ 8.50, e ontem, os papéis fecharam cotados aR$ 6.

Bovespa Mais

O último encontro do Bovespa Mais, segmento da Bolsa de Valores de São Paulo voltado a promover a entrada de médias empresas no mercado de capitais, realizado há poucos dias, apontou que as companhias ainda estudam o ambiente antes de seus IPOs. As três presentes, BRQ, especializa em softwares personalizados; Galena, que fornece matéria-prima para o mercado farmacêutico e acaba de lançar sua linha de cosméticos e complementos alimentares; eTeikon, industrializadora de produtos eletrônicos sob encomenda, anunciaram a intenção de abrir capital entre o fim de 2008 e o início de 2009.

Desde a criação do programa, no início deste ano, apenas a Nutriplant lançou seus papéis. O CEO da companhia, Marcos Haaland, disse que foi urna decisão difícil, por conta de diversas de sistências de IPOs de outras em-presas. “O Bovespa Mais tem um investidor muito específico, é um mercado que tem não tem muita liquidez, exatamente porque o negociados é de longo prazo. Então ele tem que acreditar muito no futuro da empresa”, disse. Em 13 de fevereiro a companhia decidiu emitir cerca de R$ 20 milhões em seus papéis, que valiam R$ 10 cada Oito investidores se interessaram em adquiri-los —e não se arrependeram. No pregão de ontem as ações fecharam cotadas a R$ 12,6, valorização de 3,28% no pregão e de 26% desde o IPO. O Ibovespa, por sua vez, subiu 0,79% no fechamento de ontem, menos da metade da companhia.

“Várias empresas estão contratando escritórios de advocacia especializados em aberturas de capitais, bancos de investimento, por exemplo, para o IPO“, explicou Fábio Carvalho Pinto, diretor da Risconsultoria, indicando que o movimento de retomada mais acentuada dos IPOs ocorrerá mesmo para o fim do ano. “Existe um grande número de empresas no Brasil com esse perfil do Bovespa Mais, com expectativa de crescimento”, adicionou, sinalizando que as áreas mais atrativas são as demandadas pelo merca-do interno, não tão afetado pelos problemas norte-americanos.