30 de outubro de 2015 walacy

Come as You Are – Walacy Machado

come as you are Mensalmente a BRQ divulga a seção Come as You are, onde são apresentados os talentos e hobbies dos profissionais, além da rotina na empresa.

Confira a entrevista do profissional Walacy Machado, que é escritor de Sci-fi nas horas vagas!

:: Qual a sua função e há quanto tempo está na BRQ?

Estou aqui há exatos dois anos.
Minha função aqui no marketing é bem ampla. Além de designer e tomar conta da identidade visual e dos materiais gráficos da BRQ (stands, papelaria, digital, comunicação interna e externa), eu sou responsável por algumas atribuições de marketing digital da empresa, o que engloba SEO, estudo de métricas de Analytics e de redes sociais.

:: Qual o seu hobby ou atividade extra nos finais de semana?

Na prática é escrever! Escrever para mim é bem relaxante e quando faço isso eu entro em cartase, ou seja, fujo totalmente deste mundo.
leve seu cachorroSou colaborador em um site sobre cães, o Leve Seu Cachorro. Damos dicas de passeios, cuidados e saúde para os animais: http://www.leveseucachorro.com.br.

Nos meus momentos sozinhos enquanto eu não estava escrevendo, eu estava lendo ou vendo filmes, jogando, etc… Bom, eu fazia isso com mais frequência, mas agora a minha recente paternidade está me divertindo muito mais! Sou o papai do Gustavo de apenas 4 meses!

:: Quando você escreveu seu primeiro livro?

Com ficção comecei os meus primeiros esboços há uns 15 anos. Na época eu era redator e escrevia para revistas e por isso aproveitei o embalo e me aventurei a contar minhas próprias histórias.

PSY Evolution:: Quais livros você já escreveu e qual a temática deles?

Já escrevi muitos livros técnicos e cursos de informática para editoras e escolas profissionalizantes, hoje meu foco é tentar me firmar como autor de sci-fi. Hoje temos muitos autores nacionais de ficção alicerçados em diversos temas como romances policiais, fantasias, mitologias e universos mágicos. Não lembro de ver nenhum autor nacional abordando exclusivamente o sci-fi. Gosto muito deste tipo de literatura e quero ser associado a ela.

:: Quais são suas inspirações para escrever?

O tema “high tech, low life” que é o que está por trás de temáticas cyberpunk. Na verdade eu discuto problemas e o comportamento atual da sociedade nas entrelinhas, dando uma roupagem de aventura, ação, mas sempre com alguns detalhes para se pensar.

:: Quais são seus autores ou livros prediletos?

Autores distópicos e cyberpunks como Philip K. Dick, George Orwell, Aldous Huxley, William Gibson e é claro o senhor dos robôs, Issac Asimov. Sou muito influenciado por animações e mangás sci-fi também.

:: Qual a principal dificuldade que você percebe hoje para a publicação de livros no país?

O mercado nacional não tem foco nenhum no autor nacional. As grandes editoras dão prioridade para best-sellers internacionais. É muito mais vantajoso para elas, afinal são títulos já com renome e com certeza de vendas. Só precisa traduzir e pagar a porcentagens dos direitos aos autores originais. As editoras assim podem focar em ganhar dinheiro com produtos com grande certeza de retorno.
Assim as editoras nacionais não precisam perder tempo apostando em autores nacionais novatos, na prática elas teriam que ler as centenas de manuscritos e originais enviados, filtrar, escolher os com potencial, editá-los, adequá-los ao mercado, investir em marketing, publicidade e assessoria de imprensa e no fim torcer para dar tudo certo e o autor sair do obscurantismo e ostracismo.
E como novatos publicam hoje em dia? Pagando do próprio bolso! Se o autor custear a obra (o que pode variar de 6 mil a 20 mil uma primeira tiragem) algumas editoras publicam o original. Autores de ficção juvenil de sucesso recente como André Viannco e Eduardo Spohr tiveram que apostar do próprio bolso seus primeiros livros. Eles conseguiram chegar lá.

Editoras grandes até publicam autores inéditos, muitíssimo raro, mas pode até acontecer, só o fato do original de um autor anônimo conseguir chegar na mão de um editor para ser avaliado é muita sorte, afinal estamos falando de milhares de originais que chegam nas editoras todos os anos. Certeza absoluta que a grande maioria (e em alguns casos todos) dos trabalhos que chegam nas grandes editoras sequer são avaliados. O mesmo não vale para celebridades e especialistas em determinadas áreas, mas para ficção é possível que vencedores de prêmios e concursos tenham uma chance de serem avaliados pelas grandes.
Isso quer dizer que as editoras são malvadas? Longe disso, elas são empresas que precisam dar lucro e pagar suas contas e funcionários. E imprimir e publicar no Brasil é muito mais custoso do que no primeiro mundo, aqui não dá para fazer experiências, não existe a palavra “apostar”, “investir” para várias área do mercado nacional. O que temos aqui é “sobreviver” e “cortar custos”. Há custos com a mão de obra, impressão, logística, armazenamento, publicidade e as porcentagens em cima das vendas praticadas pelas distribuidoras e livrarias são altíssimos. Fora que para ter seus livros numa melhor prateleira a editora precisa pagar por isso para o lojista. Coloque o custo Brasil em tudo isso e você verá que ser uma editora no país se torna uma tarefa homérica.
Por causa disso um autor nacional estreante pode perder as esperanças? Longe disso, eu acredito em determinação e insistência. Sempre há um jeito, sempre se tem uma nova porta para bater. O não todos nós já temos independente do que venhamos a nos propor a fazer, nós na verdade temos que ter coragem pra continuar buscando o sim, mesmo colecionando um monte de não.

PSI EvolutionEu penso assim: Não importa quantos milhões de NÃOS nós recebemos na vida em determinada empreitada, para conseguirmos o que queremos bastar ouvir um único SIM.
Hoje sou um entusiasta dos livros digitais eBooks e eReaders. Já vejo uma mudança de comportamento das pessoas consumindo livros digitais usando aparelhos como o Kindle e Tablets, ou mesmo em smartphones. A publicação independente ganha cada dia mais força, o que vai determinar o sucesso de uma obra unicamente no futuro é a qualidade e popularidade do autor.
Tão logo a Amazon entrou no mercado nacional eu publiquei meu primeiro livro em eBook. A nossa rotina diária nunca me permitiu ficar engajado na divulgação de meus textos, mas venho mudando isso aos poucos. E eu não sou um iludido, sei bem onde estou pisando, o gênero Sci-fi aqui é nicho, do nicho, do nicho. São poucos que consomem esse tipo de literatura (aliás, infelizmente, são poucos no país que consomem QUALQUER tipo de literatura). Minha meta é ser referência dentro do estilo, e não ficar rico com isso (rs).
Estes livros eu publiquei em eBook de forma independente. Estão a venda na Amazon:

exxodusExxodus (o primeiro livro sci-fi): http://www.amazon.com.br/gp/product/B006VXYU6K

PSI Evolution (meu trabalho mais recente, e cujo qual estou empenhado em levar para frente no momento): http://www.amazon.com.br/gp/product/B00VXWA7W0

E tem mais um que está online gratuitamente: Chame-se Paradoxo de Fermi, que escrevo pelo Wattpad, e faço isso sem roteiro, na lata! Trata-se de um livro estilo “space-opera” (tipo Star Trek, Star Wars, etc.). De quinze em quinze dias escrevo um capítulo e posto. Está dando super certo! Depois que eu concluí-lo vou revisa-lo e copila-lo numa obra maior. Estou já nas partes finais!
Paradoxo de Fermi: https://www.wattpad.com/story/32747438-paradoxo-de-fermi/parts

:: Caso o Walacy de hoje pudesse ter um encontro com o Walacy de dez anos atrás, o que você diria para ele?

Olha… (pausa para musiquinha dramática e triste… imagine um toque de violino melancólico e uma suave brisa) eu não ia falar nada para ele não. Acho que daria um abraço nele e diria que tudo ia dar certo e para ele não desanimar. Naquela época eu só ia precisar disso!
Há exatos 10 anos, eu não estava muito feliz da vida, estava para baixo, desanimado, sem muitas perspectivas e achando o futuro um lugar nebuloso demais. Insistia, insistia, batalhava, batalhava e as coisas não iam para frente, não melhorava.
Bom, isso foi bom, aprendi que só existe um jeito de melhorarmos a situação e revertermos o jogo: Insistindo! Hoje estou bem feliz com minha profissão, aonde eu trabalho e tenho uma família linda (recentemente eu me tornei papai de primeira viagem!). Mantive minha fé em Deus e em mim mesmo e recentemente só acumulo coisas boas.
Apesar das dificuldades e obstáculos que a gente ainda tem (e são muitas, temos que matar um leão por dia e um gigante por mês) eu só consigo ver o hoje como muito melhor que ontem e o futuro como um lugar nem um pouco nebuloso! O que é muito, mas MUITO contraditório para um cara que lê e escreve distopias (risos).

Autor do Post

walacy Publicitário, Profissional de Marketing especialista em Digital. Formações em Design Gráfico e em Artes Gráficas. Trabalha aliando design para web com o tripé do marketing digital (SEO, SEM e Inboud Marketing).

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