29 de novembro de 2010 walacy

Certificação “brazuca” conquista adeptos

TI Inside Online – 29/11/2010

Yes, nós temos metodologia!

A MPS.BR – sigla para Melhoria de Processo do Software Brasileiro, que pode ser definida como uma metodologia nacional que atesta a qualidade dos processos e das melhores práticas no desenvolvimento de software, está ganhando espaço. Na prática, ela representa uma alternativa mais viável economicamente falando e com requisitos muito próximos da certificação mais reconhecida globalmente, a CMMi (Capability Maturity Model Integration), na qual se inspirou.

Os provedores, ao contrário da numeração da CMMi que evolui o nível com a escala numérica ascendente, de 1 a 5, aqui partem da letra G (patamar inicial) até o A (o grau máximo de excelência). E, ao contrário da CMMi, que exige certificadores estrangeiros e acaba por representar custos altos, a MPS.BR requer investimentos menores, sem diminuição dos requisitos. No Brasil, se calcula em mais de 180 empresas com tal nível de certificação e as corporações, mais notadamente às ligadas aos governos, estimulam a sua requisição em licitações.

Até mesmo quem não a possui, como a Tivit, por seu porte e histórico de certificações, já com o CMMi Nível 3 e tendo alcançado também diversos padrões do gênero ISO (veja mais no Box: ISO e aquilo), ressalta a importância do MPS.BR no atual cenário de desenvolvimento de software. “Ela se transformou em uma opção importante para pequenos e médios provedores, por desonerar os custos de certificação, e também como forma de alavancar e trazer uma referência de qualidade para os players. Vejo como uma metodologia mais light se comparada com a CMMi, porém tem um bom nível e o Ministério da Ciência e Tecnologia tem estimulado sua adoção”, garante Carlos Mazon, vice-presidente de ITO (terceirização de infraestrutura de TI) da Tivit.

Como comparação, ele admite que a CMMi envolve custos maiores e mais dedicação e exclusividade das pessoas, o que nem sempre pode ser feito em desenvolvedores e provedores de menor porte. “Em alguns casos, eles chegam em níveis que equivalem a CMMi 2 ou 3. Acho, no geral, muito positivo, porém a empresa não pode ver a certificação como algo estanque e sim como um motor para melhorias internas. Certificar por certificar não vale a pena”, aponta Mazon.

No caminho Renato Stehling, diretor da área de desenvolvimento e manutenção de aplicações da BRQ, enfatiza a certificação. “É um qualificador importante para participar de alguns projetos, fizemos um trabalho de fortalecimento de nossos processos e precisamos acompanhar a demanda do mercado”, garante. A BRQ possui atualmente a MPS. BR de nível C, na unidade de Curitiba, recebida no final de fevereiro desse ano, enquanto a unidade do Rio de Janeiro a obteve em agosto último.

Os investimentos para a certificação nas duas unidades foram de certa forma distintos. “Na unidade de Curitiba queríamos verificar o grau de maturidade, e o investimento foi de curto prazo. Trouxemos uma consultoria para certificar se os processos estavam comppliance, e levamos algo como seis meses para nos ajustar e revisar algumas coisas”, admite Stehling. Já a motivação no Rio de Janeiro foi diferente. “Existe uma demanda maior, e temos o Governo local como um cliente forte”, garante. A customização dos processos realizada em Curitiba ajudou na finalização do projeto carioca ao utilizar a mesma certificadora.

Ele admite que a obtenção da CMMi ainda é mandatória em requisições de muitas corporações, mas a MPS.BR ganha espaço aqui também, fora da esfera dos governos. “É um investimento de longo prazo e contínuo”, enfatiza.
Stehling revela que o próximo investimento é no sentido de obter a MPS de nível C no centro de delivery da empresa no Nordeste e nas demais bases da BRQ para cumprir uma necessidade interna de nível de maturidade. “Eles estarão comppliances até o final de 2011. E a partir daí vamos chegar aos níveis B e A, mas para chegar a esse patamar precisamos ter uma história, com o controle dos projetos atuais, em cima da prática e da evolução contínua dos processos, baseados em modelos históricos”, explica. Sua expectativa é chegar até o final de 2011 com esse background. “E é indispensável trabalhar com parceiros externos que ofereçam uma visão isenta”, completa.

Investimento pesado?

Apostando no serviço de desenvolvimento de sistemas para crescer, a Smart Solutions, provedora brasileira de soluções de TI, ampliou o seu espaço físico e investiu R$ 1 milhão na certificação MPS.BR. Atualmente, a companhia está no nível F, que trata dos processos de apoio ao desenvolvimento de sistemas.

A meta, agora, é alcançar o nível C ainda neste ano. Como comparação, o nível F equivale ao nível 2 da CMMi. “A certificação é um fator que nos confere credibilidade no mercado, inclusive para buscarmos projetos internacionais. A empresa ganha visibilidade e comprova a qualidade e transparência dos processos que utiliza no desenvolvimento de software”, afirma Roberto Monteiro, diretor comercial da Smart Solutions.

O executivo lembra que toda a preparação para a obtenção da certificação teve início em dezembro de 2008. Naquela data, a Smart foi avaliada e aprovada nos seguintes itens: gerência de projetos, gerência de requisitos (nível G), gerência de configuração, gestão de portifólio de projetos, garantia da qualidade e medição (nível F). A instituição avaliadora foi a Riosoft, empresa credenciada pela Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro), entidade responsável pela implantação da certificação brasileira MPS.BR.

A fábrica de software da Smart Solutions possui mais de 20 profissionais, entre gestores de projetos e desenvolvedores. “Com a ampliação do espaço físico e um plano de conquista de novos contratos, pretendemos ter 60 pessoas na equipe até o final de 2010”, revela Homero Tavares, gerente da fábrica de software da Smart.
A companhia também acredita no potencial de receita dos serviços de planejamento e especificação de testes de software, além de testes de integração e sistemas. Afinal, a empresa conta com profissionais especializados que atuam desde o levantamento de requisitos, análise e concepção dos projetos até as etapas de programação e testes de integração e do próprio sistema.

No total, foram investidos R$ 1 milhão em todo o projeto, da certificação à ampliação física da companhia. O próximo passo é conquistar o nível A da certificação MPS.BR, que corresponde à CMMi 5. “Pretendemos alcançar este objetivo em 2011”, conclui Tavares.

Contra a maré

Mas nem sempre o MPS.BR é o caminho natural de uma empresa de desenvolvimento e prestação de serviços de médio porte. A catarinense Teclógica, de Blumenau, investiu primeiro na certificação CMMI N2 e agora está em processo para a certificação CMMI N2 – For Services.

“Antes do processo para atingir essa dimensão de CMMi, tínhamos apenas a certificação individual dos profissionais. Faltava o respaldo da empresa por uma organização externa, que mostrasse nossa qualidade, preço e prazos”, garante Gilmar Tamanini, presidente da Teclógica. A prioridade se deve à requisição por parte de clientes de perfil multinacional como o Grupo BAT (British American Tobacco), Bunge, entre outros.

No entanto, agora, a empresa avalia quando e como poderá ingressar no time dos provedores que possuem a MPS.BR. “Estamos conversando com a consultoria Soft Process e sabemos que as diferenças do MPS para a CMMi são mínimas. Depois de atingirmos a CMMi de nível 3 vamos partir para a certificação local”, revela o executivo.

Como avaliação, Tamanini qualifica a certificação “brazuca” como brilhante, “ao tropicalizar as práticas de desenvolvimento e levar reconhecimento à produção de software no Brasil, em capacidade e similaridade com a CMMi. Não há diferença, a MPS.BR é sólida e séria, e em gerenciamento de risco ela é até mais completa. Vamos buscar essa equivalência”, reitera.
Escala evolutiva

A escolha da consultoria para auxiliar no processo, a Soft Process, passou por uma avaliação prévia do que existia em termos de serviços do gênero não apenas em Santa Catarina como também no eixo Rio-São Paulo. “Eles também já tinham trabalhado conosco no CMMi e temos confiança neles”, aponta.

Como ele disse, o primeiro step é chegar ao CMMI N2 – For services, depois o CMMi 3 e posteriormente investir no MPS. “Estamos há 1 ano e meio nesse trabalho do N2 e o objetivo é certificar nossa fábrica de software como um todo e não algumas áreas. É preciso treinar as pessoas e modificar a cultura organizacional”, enumera.

A proposição de mudança cultural é avaliada por Tamanini como algo crucial nesse investimento em certificações, no qual o profissional precisou absorver essa prática e o cliente também tinha que entender a mudança – garantindo assim um trabalho de desenvolvimento no melhor custo, no tempo ideal e com o esforço ideal. O valor do investimento de acordo com o executivo é de R$ 850 mil.

“Estamos trabalhando na continuidade. Já saiu a primeira versão do CMMi N2 – For Services e temos a nossa fábrica de software e uma área de gerenciamento de software de acordo. Temos o CMMi 2 For Development e avaliamos que não poderíamos chegar na fábrica com o nível 3 antes da área de gerenciamento avançar, como forma de equalizarmos as duas áreas”, garante. Até o final do ano a empresa deve alcançar a CMMi N2 para a manutenção dos sistemas e, então, partir para ter as duas áreas no nível 3.

O futuro planejado

A previsão é que as duas áreas iniciem os trabalhos em janeiro de 2011 e atinjam o nível 3 em dezembro. “Será mais rápido e menos traumático que o processo de obtenção do nível 2”, compara. Se tudo der certo nessa evolução, depois de alcançada a maturidade no nível 3, algo que deve ser finalizado em 2012, será iniciado então a MPS.

“Projetamos o investimento em 2013, mas, claro, vamos ficar de olho no mercado, se a evolução for mais rápida na necessidade de termos o MPS podemos fazer em paralelo”, pontua. A mudança seria a necessidade de montar grupos de profissionais para “climatizar” a empresa na direção do MPS. Hoje, a Teclógica possui um time de seis pessoas dedicadas integralmente a CMM que conta com o apoio de profissionais nas áreas que participam de grupos de trabalho.

A exemplo de outras empresas, revela Tamanini, a Teclógica ficou muito resistente internamente às mudanças, principalmente por existir uma insegurança das pessoas envolvidas. “Parece algo sem sentido para alguns, mas garantir um mesmo prazo e padrão nas atividades é algo que traz resultados fantásticos. A adoção de um modelo de maturidade garante redução de prazos, menores custos e de 20% a 30% em retorno financeiro do investimento. Aproveitamos melhor os nossos recursos, criamos uma série de indicadores e temos um índice de retrabalho menor”, conclui.

ISO e aquilo

A razão para a variedade de certificados colecionados pela TIVIT é explicada por Carlos Mazon, vice-presidente de ITO (terceirização de infraestrutura de TI) da companhia. “As certificações muitas vezes são pré-requisitos para atendimento, como as mais tradicionais de gestão das empresas, como a 9000, ou a 20.000 de gestão e ainda a 27001 de segurança, são certificações importantes, assim como a CMMi na área de desenvolvimento”, explica.

A Tivit tem procurado avançar em outras linhas, com certificações novas. “Temos uma política de investimento para manutenção e obtenção, isso faz parte do nosso orçamento, sempre colocamos novos targets para aprimorar os serviços. É uma prática constante e isso passa uma credibilidade para os clientes, naquilo que temos e que avançamos”, avalia.

A HDI, por exemplo, bem recente, é voltada para o service desk. “É algo muito novo no país, assim como a PCI, voltada para os meios de pagamento eletrônicos. Neste caso, quem a obtêm são nossos clientes. A nossa responsabilidade é de suporte à cadeia de valor. Focamos em projetos estratégicos para elevar o nível da governança e nos tornarmos uma referência para o cliente”, acentua.

A Tivit trabalha agora no sentido de obter a CMMi de nível 5 para amplificar a participação da empresa em serviços de offshore, já que a certificação nesse patamar é uma exigência de qualificação do mercado global. “Ela possui ciclos de melhoria continua, com grande interação com os clientes. São processos definidos e controlados, com métricas aditáveis. Para a 5 precisamos ter uma evolução contínua e aprofundada e uma mecânica de melhoria que o cliente consiga nos auferir. Temos clientes que colocam nossas métricas nos seus objetivos de mercado, com indicadores de serviço que partem de nós. Devemos chegar a esse patamar em 2011, no primeiro semestre”, projeta.

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walacy Publicitário, Profissional de Marketing especialista em Digital. Formações em Design Gráfico e em Artes Gráficas. Trabalha aliando design para web com o tripé do marketing digital (SEO, SEM e Inboud Marketing).

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