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Imagem da matérias Capacitar pessoas para crescer publicada em Brasil Econômico em 02-03-10
Benjamin Quadros, presidente da BRQ, empresa voltada principalmente para o desenvolvimento de programas de computador sob encomenda, conta hoje com um time de aproximadamente 2 mil profissionais. Porém, para formar essa equipe, foi necessário contornar um problema comum no setor da tecnologia da informação (TI): a escassez de mão de obra.
A BRQ tem convivido com um déficit constante de 200 vagas. As contratações feitas não têm conseguido reduzir esse número. Não é uma situação rara entre seus pares. Segundo dados da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), o Brasil deve chegar a 2013 com uma carência de 200 mil profissionais de TI. Há 17 anos, quando Quadros criou a empresa, esse problema não existia. Afinal, todas as funções do empreendimento eram exercidas por uma única pessoa: ele mesmo.
A empresa foi criada em 1993, quando o empresário tinha 24 anos, para prestar serviços ao Unibanco. Quadros deixou para trás uma promissora carreira em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, a IBM, onde trabalhou por três anos. Sua opção por ter um empreendimento próprio se mostrou acertada. A BRQ conta hoje com dois escritórios no exterior, um em Nova York e outro em Madri, e deve ter seu capital aberto entre o final de 2011 e 2012. Em 2009, a empresa faturou R$ 200 milhões.
Até chegar ao patamar atual, Quadros precisou criar soluções para ver seu negócio crescer. Uma das principais foi fazer da BRQ uma empresa com forte foco em pessoas. “No nosso ramo, para ganhar escala é preciso ter gente”, diz. Essa percepção ficou mais clara para ele em meados do ano 2000, pouco antes da crise das chamadas empresas pontocom. Naquele momento, o setor de tecnologia passava por um crescimento vigoroso e a necessidade de voltar a gestão para a valorização e formação de profissionais ficou clara para Quadros. “Nossa matéria-prima é gente. O desafio está em como você treina e encontra gente nova e com potencial. Nosso esforço de capacitação aumenta a cada ano”, afirma.

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Foi naquela época que Quadros teve a idéia de estimular a prática da indicação. Desde então, os funcionários que ajudam a BRQ a encontrar bons profissionais são premiados. “Quem é bom normalmente indica um amigo competente. É um processo muito eficiente” , diz. Outra estratégia foi investir cada vez mais em capacitação. “Formação é uma das partes principais do meu negócio. Há três anos, eu não tinha essa certeza. Esperava que o ambiente externo gerasse mão de obra para mim”, diz.
A empresa possui diversos programas de formação, que vão desde o treinamento de pessoas sem qualquer conhecimento até programa de entrada, como um estágio, com duração de aproximadamente cinco meses, além de parcerias com universidades. “Nos últimos três anos, formamos cerca de mil pessoas”, afirma.
Agora, Quadros quer transformar essa preocupação com formação em responsabilidade social. A idéia é selecionar jovens e oferecer prática esportiva e cursos de tecnologia. “Queremos auxiliar o jovem para que ele possa, no futuro, estar preparado a enfrentar um processo de seleção das empresas de TI”, afirma. Para John Forman, diretor de capacitação e inovação da Softex, esse “é um dos grandes desafios que temos pela frente. Tenho visto algumas empresas nacionais usando tecnologia como ferramenta para resolver problemas de capacitação, mas pouco entre as de TI”, diz.