18 de setembro de 2014 walacy

Canibalismo derruba lucratividade da TI no Brasil

18/09/2014

As dificuldades enfrentadas por empresários brasileiros não são exatamente uma novidade, mas um levantamento feito pela consultoria Akurat joga uma luz nada animadora na comparação entre empresas de tecnologia da informação no Brasil, nos Estados Unidos, Europa e Índia. Por aqui, a lucratividade é uma fração do que obtém similares lá fora.

“Especificamente no segmento de empresas de Integração/Outsourcing, chamado nos EUA de Computer Services, as empresas brasileiras, em 2013, têm uma média de Ebitda de 3,5%, contra 26,5% na Índia, 17,1% nos EUA e 16,9% no resto do mundo”, indica o sócio diretor da Akurat, Klaus Ehmke. O Ebitda representa o lucro antes do pagamento de impostos e taxas.

A comparação usou um banco de dados com o resultado de 2,2 mil empresas de TI no mundo – mas nele aparecem apenas três brasileiras: Totvs, Linx e Senior Solutions, as únicas listadas na Bovespa. A lista final incluiu outras, mas a dificuldade em se obter dados financeiros das firmas acabou limitando o número de empresas nacionais a 20.

São elas Algar Tech, Alog, Ascenty, Atento Brasil, Bematech, BRQ, Cast Informatica, Contax, CPM Braxis Capgemini, CSC Computer, Grupo Mtel, Indra Brasil, Linx, Locaweb, Quality Software, Senior Solutions, Stefanini Cons, Teleperformance CRM, Tivit e Totvs.

Ehmke lembra que as razões mais mencionadas pelos empresários brasileiros para o desempenho menor são clássicas: custos trabalhistas, carga tributária e baixa produtividade. Mas ele discorda dessa interpretação, particularmente por serem fatores que afetam a todos.

“O principal fator negativo é a competição predatória. Em mais de 20 anos em empresas multinacionais e nacionais de TI, a cada concorrência por um novo cliente percebe-se como cresce o canibalismo, que estabelece patamares de preços cada vez mais baixos e impossíveis de gerar margem para qualquer empresa”, avalia. “São margens baixas e muitas vezes negativas com o único objetivo de ganhar mercado.”

Para Ehmke, o Mercado de TI precisa de escala e a maioria dos projetos de desenvolvimento de sistemas acabam com margens muito menores do que as estimadas devido a erros na precificação, baixa produtividade ou simplesmente porque a empresa apostou que poderia aumentar a margem durante a execução do projeto, mas não consegue.

“As empresas que têm grande escala ainda conseguem compensar os projetos deficitários com os mais lucrativos, mas as empresas de pequeno e médio porte sofrem muito com os projetos deficitários, que não conseguem se recuperar ao longo do tempo. Os reajustes anuais dos contratos muitas vezes mal cobrem o dissídio aplicado aos salários.”

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Autor do Post

walacy Publicitário, Profissional de Marketing especialista em Digital. Formações em Design Gráfico e em Artes Gráficas. Trabalha aliando design para web com o tripé do marketing digital (SEO, SEM e Inboud Marketing).

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