Sete meses depois de receber do BNDES um aporte de R$ 56 milhões, a BRQ, especializada em serviços de tecnologia da informação, completou um movimento ainda raro para uma empresa brasileira do setor: a aquisição de um negócio no exterior. A companhia acaba de adquirir o controle da americana ThinkInternational, de Nova York, com a qual já tinha parcerias comerciais.
Pelo acordo, cujo valor não é revelado, a BRQ assume 80% de participação na ThinkInternational, que passa a se chamar ThinkBRQ. Os demais 20% permanecem nas mãos dos sócios originais, que também continuam nas operações dia-a-dia da empresa, criada há 11 anos.
Com a compra, a BRQ vai absorver os 50 funcionários da ThinkInternational e um faturamento projetado de US$ 8 milhões neste ano. Em 2007, a receita da empresa americana foi de US$ 6 milhões. O negócio dá impulso direto à participação das vendas internacionais na composição da receita da BRQ. No ano passado, as exportações somaram US$ 15 milhões. Para 2008, a projeção é chegar a R$ 26 milhões, já incluÃdo o faturamento da ThinkInternational. Quando recebeu o capital do BNDES, em outubro do ano passado, a BRQ já havia iniciado as conversas no exterior há algum tempo, mas chegar a um acordo exigiu uma boa dose de paciência e um ano de conversas. “Não é fácil comprar uma empresa americana”, diz Benjamin Quadros, presidente da companhia. “Há muita resistência nos EUA em vender um negócio a estrangeiros.”
O vôo internacional não é a única novidade da BRQ. A companhia também adquiriu a carteira de clientes do mercado financeiro da Prodacon, de São Paulo. “A empresa tem clientes de outros setores, mas que estavam fora de nossa área de interesse”, diz Quadros. O valor do negócio também não é revelado, mas a expectativa é de acrescentar R$ 9 milhões em vendas ao faturamento deste ano.
Com a aquisição da ThinkInternational e a transferência de parte dos clientes da Prodacon, além do crescimento de seus negócios originais, a meta da BRQ é encerrar o ano com uma receita de R$ 300 milhões, o dobro do movimento do ano passado. A composição projetada é de vendas de R$ 200 milhões com crescimento orgânico, o das operações já existentes, além de R$ 100 milhões gerados pelos negócios adquiridos. No ano passado, a receita foi de R$ 150 milhões, informa Quadros.
Novas aquisições estão no radar da companhia, incluindo a possibilidade de fechar um negócio na Europa ainda este ano. As compras apóiam-se nos recursos obtidos com o BNDES - um aporte de R$ 50 milhões feito pelo BNDES, braço de participações do banco, e uma linha de crédito de R$ 6 milhões.
Desde o inÃcio, as aquisições eram um dos dois destinos principais traçados para o aporte, diz Quadros. O outro era o investimento em infra-estrutura, que também está em andamento. A BRQ iniciou a implantação de um software de gestão empresarial e começou a colocar em prática outras iniciativas, incluindo projetos de recursos humanos, a consolidação de centros de dados e a compra de servidores, os computadores que distribuem os recursos em uma rede.
Todos os projetos até agora tem sido financiados com o caixa da empresa, mas Quadros prevê uma nova captação de recursos no inÃcio do ano que vem, para dar continuidade aos planos de crescimento da BRQ.
O reforço às operações ocorre em meio a um cenário de rápidas mudanças no mercado de tecnologia da informação no Brasil. O setor de software passa por uma forte fase de consolidação - com empresas maiores comprando menores e companhias de tamanho semelhante juntando-se em um negócio único. No segmento de serviços, a disputa em torno do atendimento de clientes no exterior levou à uma briga para contratar profissionais que aliem recursos técnicos e inglês fluente. A BRQ sabe bem o que é isso. A empresa, com 1,9 mil funcionários, tem 11 vagas abertas em Nova York, mas não consegue preenchê-las.