30 de novembro de 2010 walacy

Uma barreira a ser vencida

Information Week – Nacional – NA – 30/11/2010

A indústria nacional de software e serviços de tecnologia faturou US$ 22,4 bilhões, em 2009, gerando mais de 600 mil empregos diretos para profissionais que recebem salários que são o dobro da média brasileira. Nos próximos dez anos, o mercado local de TIC trabalha com a meta de saltar da posição de 8º para 4º maior do mundo e o valor das exportações de serviços deverá subir dos atuais US$ 3 bilhões para US$ 20 bilhões em 2020, resultando na necessidade de contratar 300 mil pessoas apenas para prestar esses serviços internacionais. Afora isto, a demanda interna pedirá outros 450 mil profissionais no mesmo intervalo. Entidades de classe apontam que, atualmente, há um déficit de 71 mil trabalhadores no setor, podendo aumentar para 240 mil em 2013.

Estes apontamentos compõem o estudo Valor Estratégico da Tecnologia da Informação, que foi feito em um cenário com mercado e economia crescentes e com serviços de TI avançando na casa dos 15%. Em termos de contexto, já vivemos um apagão de mão de obra”, sentencia Gérson Schmitt, residente da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes). A maioria das companhias do segmento busca incessantemente profissionais qualificados. E, pior, não conseguem preencher as vagas.

Peguemos como exemplo alguns provedores nacionais para ilustrar o desafio enfrentado. Numa rápida conversa, revela-se latente a criticidade do tema a ponto de o presidente da BRQ, Benjamin Quadros, afirmar que o principal desafio de crescimento que sua empresa enfrenta atualmente não é vender serviços, mas contratar pessoas. A provedora possui uma média de 200 vagas recorrentemente em aberto. Questionado sobre os impactos da ausência deste contingente em seu negócio, o executivo acredita que, preenchendo as postos disponíveis, poderia elevar em R$ 3 milhões o faturamento mensal da companhia

O setor é, historicamente, carente de mão de obra”, situa Marco Stefanini, presidente da companhia que leva seu sobrenome. Ele explica que situações econômicas positivas, como a vivida atualmente, tendem a agravar um pouco mais a lacuna. A companhia gira uma média de 500 vagas em aberto todos os meses. Além disso, contrata aproximadamente 2 mil pessoas todos os anos somente para manter a taxa de crescimento na casa dos 25%. Contratar pessoas é o nosso negócio”, comenta. Somando as vagas recorrentemente abertas reveladas pelos executivos da BRQ e Stefanini com as da CPM Braxis (cerca de 350) ultrapassamos a marca de mil oportunidades de trabalho. É um corte pequeno, mas demonstra o aquecimento. Perdemos a janela de industrialização nos anos 60 por falta de preparo, estamos perdendo a janela de aproveitar a onda de terceirização de serviços, avalia Edson Luiz Pereira,executivo de parcerias educacionais da IBM Brasil.EM SÉRIE Os números revelam um cenário antagônico se pensarmos no Brasil como um país com índice de desemprego altíssimo. No centro do problema está a questão da educação, mais especificamente, a falta dela. Um profissional de TI precisa ter o domínio dos fundamentos de matemática e lógica, mas também é indispensável que ele domine a língua inglesa. Os representantes da indústria ouvidos identificam a raiz da dificuldade nas camadas mais básicas. A educação brasileira, no último século, foi deficiente”, dispara Schmitt, da Abes.

Quando concedeu entrevista para esta reportagem, Pereira, da IBM Brasil, disse que, havia algumas horas, tinha ouvido a notícia sobre importação de profissionais das áreas de engenharia. Todas as ciências exatas têm procura menor por parte dos jovens. É um problema oriundo do ensino fundamental, por falta de interesse”, afirma, explicando que os professores têm pouca estrutura e motivação para ensinar matemática, a ciência fundamental para o mundo da tecnologia, bastante baseado em lógica.

A partir desta constatação, uma sequência de situações estruturais aparece em todos os estágios escolares subsequentes à pré-escola. O executivo pesquisou, ainda, alguns testes vocacionais para ver como a carreira de TI aparecia. Eles nem a mencionam”, constatou. Pereira acredita que ao Brasil falta algo” quando o aluno está na sétima série para falar de profissões para ajudá-los em sua busca. Subindo um degrau, verifica-se carência de cursos técnicos na área no ensino médio. E, indo além, surge outro ponto levantado pelos representantes da indústria: o descompasso entre o que é ensinado nas faculdades de tecnologia e as exigências do mercado. A demanda precisa ser soberana”, frisa Schmitt, presidente da Abes. A entidade luta por um modelo industrial de tecnologia suportado por inteligência replicável (leia-se mais baseado em software do que em serviço) e trabalha para alertar o governo quanto a sua preferência por serviços e a inclinação ao código aberto. Sem falar no fato, lembrado pelo executivo de parcerias educacionais da IBM, de que menos de 4% dos cursos universitários no País são na área de tecnologia. As faculdades têm a visão de que formam pessoas, não técnicos. O aluno sai com conhecimento genérico e não pronto para o mercado. Para se especializar ele gasta mais seis meses ou um ano”, analisa Pereira, lembrando o fator impaciência de quem contrata, afinal, aquele profissional pode significar atender ou não a uma demanda que bate a porta. Peguemos como exemplo um especialista em sistemas da SAP. Trata-se de um profissional disputado pela indústria, de carreira longa e que passa por um programa de desenvolvimento intensivo. Mesmo assim, a própria fabricante estima que seu ecossistema precise de aproximadamente 7 mil trabalhadores para implementações de seus sistemas no País nos próximos cinco anos.

A partir desta constatação, uma sequência de situações estruturais aparece em todos os estágios escolares subsequentes à pré-escola. O executivo pesquisou, ainda, alguns testes vocacionais para ver como a carreira de TI aparecia. Eles nem a mencionam”, constatou. Pereira acredita que ao Brasil falta algo “quando o aluno está na sétima série para falar de profissões para ajudá-los em sua busca. Subindo um degrau, verifica-se carência de cursos técnicos na área no ensino médio. E, indo além, surge outro ponto levantado pelos representantes da indústria: o descompasso entre o que é ensinado nas faculdades de tecnologia e as exigências do mercado. A demanda precisa ser soberana”, frisa Schmitt, presidente da Abes. A entidade luta por um modelo industrial de tecnologia suportado por inteligência replicável (leia-se mais baseado em software do que em serviço) e trabalha para alertar o governo quanto a sua preferência por serviços e a inclinação ao código aberto. Sem falar no fato, lembrado pelo executivo de parcerias educacionais da IBM, de que menos de 4% dos cursos universitários no País são na área de tecnologia. As faculdades têm a visão de que formam pessoas, não técnicos. O aluno sai com conhecimento genérico e não pronto para o mercado. Para se especializar ele gasta mais seis meses ou um ano”, analisa Pereira, lembrando o fator impaciência de quem contrata, afinal, aquele profissional pode significar atender ou não a uma demanda que bate a porta. Peguemos como exemplo um especialista em sistemas da SAP. Trata-se de um profissional disputado pela indústria, de carreira longa e que passa por um programa de desenvolvimento intensivo. Mesmo assim, a própria fabricante estima que seu ecossistema precise de aproximadamente 7 mil trabalhadores para implementações de seus sistemas no País nos próximos cinco anos.

Resta saber como fazer isto, afinal, se as empresas brasileiras não atenderem às crescentes demandas, pode ter certeza que alguém irá.

Recompensa

A indústria desenhou algumas soluções alternativas para tentar preencher as vagas que possui em aberto. A BRQ implantou um sistema de recompensa para os funcionários que indiquem profissionais dentro dos perfis desejados e que venham a ser contratados. Contratamos muito, é muita entrevista. Quando alguém indica um amigo, já fez uma pré-seleção. Funciona muito”, avalia Benjamin Quadros, presidente da provedora que beneficia indicações certeiras com um vale compras de R$ 200. Até hoje, foram mais de 3,7 mil indicações que resultaram 800 contratações. A pratica também é adotada na CPM Braxis. O funcionário busca em seus contatos e faz uma indicação formal. Feito isso, se a pessoa indicada entrar na empresa, o profissional recebe um bônus de R$ 300″, explica Alexandre Ullmann, gerente de RH da companhia.

Etiquetado como:

Autor do Post

walacy Publicitário, Profissional de Marketing especialista em Digital. Formações em Design Gráfico e em Artes Gráficas. Trabalha aliando design para web com o tripé do marketing digital (SEO, SEM e Inboud Marketing).

Entre em contato conosco!

Conheça todas as nossas unidades!